Brasil gera 41,4 mil empregos formais em julho, pior em 10 anos

quarta-feira, 21 de agosto de 2013 14:53 BRT
 

BRASÍLIA, 21 Ago (Reuters) - O Brasil abriu 41.463 vagas formais de trabalho em julho, muito aquém do esperado e o pior resultado para o mês desde 2003, com forte queda nas contratações em todos os setores, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgado pelo Ministério do Trabalho nesta quarta-feira.

O resultado ficou bem abaixo da expectativa em pesquisa da Reuters feita com analistas, cuja mediana das projeções era de abertura de 100 mil vagas no mês passado.

O resultado de julho é 66,5 por cento menor que os 123.836 postos com carteira de trabalho criados em junho e 70,9 por cento inferior aos 142.496 vagas abertas em julho do ano passado.

A indústria de transformação contratou 7,1 mil empregados em julho, contra 24,8 mil postos abertos em igual mês do ano passado. A construção civil admitiu em julho, 4,9 mil operários, número bem abaixo dos 25,4 mil contratados um ano antes.

Ainda segundo o Caged, o setor serviços abriu somente 11,2 mil postos no mês passado, desempenho bem abaixo das 39 mil vagas ofertadas em julho do ano passado.

No acumulado do ano até julho, o mercado formal de trabalho registrou a contratação líquida de 699.036 mil trabalhadores.

Ao comentar os dados, o ministro do Trabalho, Manoel Dias, disse não haver justificativa para a forte queda do emprego. "Não há como explicar, não temos dados", disse. "Não é um resultado bom, mas o emprego continua crescendo ao contrário dos países riscos, que não geram empregos."

A desempenho de julho evidencia a perda de dinamismo na oferta de emprego, uma das principais âncoras do governo da presidente Dilma Rousseff e que agora mostra sinais de exaustão diante da economia em fraca trajetória de recuperação.

Em junho, a taxa de desemprego ficou em 6 por cento ante 5,8 por cento em maio, no sexto mês seguido sem queda no indicador, ao mesmo tempo em que o rendimento da população caiu pela quarta vez consecutiva, indicadores que reforçam a perda de ritmo na oferta de vagas.

(Por Luciana Otoni)