Dólar vai a R$2,45, maior nível em quase 5 anos, com especulação e Fed

quarta-feira, 21 de agosto de 2013 18:37 BRT
 

Por Tiago Pariz e Bruno Federowski

SÃO PAULO, 21 Ago (Reuters) - O dólar avançou mais de 2 por cento ante o real, batendo na máxima em quase cinco anos ao chegar ao patamar de 2,45 reais, diante de forte movimento especulativo e após investidores interpretarem a ata da última reunião do Federal Reserve como um sinal de que a redução do estímulo nos Estados Unidos está próxima.

O movimento aconteceu mesmo com a forte atuação do Banco Central brasileiro, que fez dois leilões de swap cambial tradicional --equivalentes a venda futura de dólares--, anunciou mais um para a próxima sessão e, após o fechamento dos negócios, divulgou que fará um leilão de linha na quinta-feira.

O dólar avançou 2,39 por cento, para 2,4512 reais na venda, após tocar 2,4523 reais na máxima do dia. É o maior nível de fechamento desde 9 de dezembro de 2008, quando ficou em 2,473 reais na venda, auge da crise internacional. Segundo dados da BM&F, o giro financeiro foi muito pequeno, apenas um pouco acima de 750 milhões de dólares.

"O mercado lá fora piorou devido ao Fed e, como aqui o mercado está estupidamente especulativo, a notícia que era um pouco ruim lá fora fica aqui péssima", afirmou o operador de uma corretora internacional.

A ata da última reunião do Fed mostrou que apenas alguns integrantes do banco central norte-americano acreditam que o momento de reduzir o estímulo monetário no país está próximo, mas fez pouco para dissuadir a expectativa disseminada de que isso deve ocorrer já em setembro.

Investidores mantêm os olhos abertos para quaisquer sinais sobre a eventual redução do ritmo de compra de títulos do Fed, uma vez que, quando ocorrer, limitará a oferta de dólares nos mercados globais, catapultando as cotações da divisa dos EUA.

No entanto, o avanço do dólar no Brasil foi mais forte do que o observado em relação a outras moedas de países. Sobre uma cesta de moedas, o dólar tinha alta de 0,5 por cento.

"O negócio perde um pouco a lógica, vendo o tamanho da valorização da moeda comparada com outros países", disse o operador de câmbio da B&T Corretora Marcos Trabbold.   Continuação...