Dólar forte estimula venda de açúcar ainda não fixado--Archer

quarta-feira, 21 de agosto de 2013 17:44 BRT
 

SÃO PAULO, 21 Ago (Reuters) - A alta do dólar estimula a venda de açúcar brasileiro cujos preços não foram previamente fixados, uma vez que a rentabilidade do adoçante é maior no mercado externo, disse a Archer Consulting nesta quarta-feira.

"Não há dúvida de que a anemia do real tem contribuído para que as usinas que ainda tinham açúcar vendido e/ou não fixado aproveitassem os preços favoráveis em reais", disse Arnaldo Corrêa, gestor de riscos e diretor da consultoria, em comunicado.

O acompanhamento da consultoria indica que o açúcar encerrou a semana a 929 reais por tonelada, no preço mais alto desde dezembro de 2012, em valor que considera a referência internacional.

A safra brasileira está no pico, com produtores inicialmente priorizando a produção do etanol, em meio aos baixos preços do açúcar no mercado internacional.

Segundo a Archer, a ordem de rentabilidade é a seguinte: açúcar na exportação, etanol anidro e açúcar no mercado interno e etanol hidratado.

"O açúcar, favorecido pelo dólar, tem uma margem positiva de 15 por cento sobre o custo de produção, seguido do etanol com 11,5 por cento e açúcar no mercado interno e hidratado. A rentabilidade não considera o custo financeiro", explicou o executivo.

Estimativas da Archer indicam que 20,085 milhões de toneladas de açúcar da safra 2013/14 tiveram seu preço fixado antecipadamente ao valor médio de 17,65 centavos de dólar por libra-peso, ou o equivalente a 404,87 dólares por tonelada FOB Santos.

Segundo a Archer, no mesmo período do ciclo anterior, o volume fixado somava 21,190 milhões de toneladas com preço médio de 22,98 centavos de dólar por libra-peso.

Na safra 2011/12, apontou a consultoria, o volume comercializado antecipadamente somava 22,517 milhões de toneladas com preço médio de 24,14 centavos de dólar por libra-peso.

"Ou seja, o volume (fixado antecipadamente) desta safra realmente está bem atrasado comparativamente aos volumes dos anos anteriores", ressaltou.

(Por Fabíola Gomes)