Nowotny não vê necessidade de corte de juros pelo BCE, Schaeuble mira aperto

sexta-feira, 23 de agosto de 2013 07:52 BRT
 

FRANKFURT, 23 Ago (Reuters) - O membro do Banco Central Europeu (BCE) Ewald Nowotny afirmou que não vê razões para um corte das taxas de juros agora, enquanto o ministro das Finanças da Alemanha disse que o BCE deixou claro que irá elevar os juros caso a economia melhore, sugerindo que o viés de afrouxamento do banco pode estar perdendo força.

O tom conservador de Nowotny, que é presidente do banco central austríaco, veio depois de uma pesquisa na quinta-feira mostrar que a atividade empresarial na zona do euro acelerou neste mês a um ritmo mais rápido do que o esperado.

"Estamos em uma perspectiva de médio prazo", afirmou Nowotny em entrevista à Bloomberg na quinta-feira, que foi publicada no site na sexta-feira. "Mas na minha opinião, não vejo muitos argumentos para um corte das taxas agora".

Questionado se a economia está saindo de seu pior momento na Europa, Nowotny acrescentou: "Bem, sim, acho que sim, porque temos uma série de boas notícias agora...É uma recuperação fraca, mas é uma recuperação."

O conselho diretor do BCE discutiu o corte das taxas em julho, mas decidiu contra e ao invés disso afirmou que irá manter suas taxas de juros nas mínimas recordes por um "período prolongado" --o seu primeiro uso da ortientação futura.

O BCE reiterou essa orientação em sua reunião de 1º de agosto. O conselho volta a se reunir em 5 de setembro, quando irá apresentar projeções atualizadas.

Já o ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schaeuble, afirmou que recebeu bem a perspectiva de o BCE elevar a taxa de juros quando a economia melhorar.

"Taxas baixas são acima de tudo uma expressão de insegurança nos mercados de dívida. Isso não pode durar para sempre, mesmo que seja um alívio para o orçamento federal", disse ele ao jornal Handelsblatt.

"O banco central anunciou que elevará os juros de novo quando a economia melhorar. Isso é bom", completou.

(Reportagem de Paul Carrel e Eva Taylor em Frankfurt, Stephen Brown em Berlin, e Michael Shields em Viena)