ESPECIAL-Tombini: um falcão contra a inflação, acredite ou não

sexta-feira, 23 de agosto de 2013 19:39 BRT
 

Por Walter Brandimarte

RIO DE JANEIRO, 23 Ago (Reuters) - Levando em conta o desempenho de Alexandre Tombini à frente do Banco Central, investidores podem ser perdoados por achar que ele é excessivamente tolerante à inflação.

Desde que Tombini assumiu a presidência do BC no início de 2011, a inflação em 12 meses tem ultrapassado com frequência a casa de 6 por cento, perigosamente perto do teto da meta do governo. Um salto inesperado dos preços este ano assustou os consumidores, sufocou a economia e contribuiu para uma onda de protestos contra o governo de Dilma Rousseff.

A instabilidade dos preços, tema que causa arrepios em um país ainda assombrado pela hiperinflação de décadas atrás, alimentou rumores de que Tombini talvez seja fraco demais para controlar o problema. Ou, pior, que ele tenha permitido que Dilma o pressionasse a derrubar os juros para as mínimas históricas, em uma campanha de afrouxamento monetário que muitos afirmam ter afetado a credibilidade do BC.

Mas aqueles que conhecem bem Tombini --um grupo pequeno, dado sua natureza reservada-- disseram à Reuters que vêem a história de forma diferente.

Eles dizem que Tombini é mais conservador em termos de política monetária do que as pessoas acham --um "hawk", ou falcão, na linguagem do mercado financeiro-- e que ele fará o que acreditar necessário nos próximos meses para recuperar a confiança dos consumidores e dos investidores.

Os problemas recentes de inflação, segundo essas pessoas, não foram resultado de fraqueza por parte de Tombini, mas de uma certa traição de outras áreas do governo, incluindo o Ministério da Fazenda, que haviam tacitamente concordado em controlar os gastos públicos para que Tombini pudesse manter os juros baixos.

Quando Tombini percebeu que o pacto tinha sido rompido --tarde demais, dizem alguns críticos-- o tecnocrata de 49 anos voltou-se ao treinamento ortodoxo que aprendeu há duas décadas na Universidade de Illinois, nos Estados Unidos. Tombini começou a elevar a taxa de juros em um ritmo rápido em abril, embora a economia brasileira continue patinando por mais de dois anos.

"Tombini é um profissional de altíssima qualidade que, durante dois anos e meio, submeteu-se a uma espécie de dominação fiscal. Eu acho que ele decidiu o seguinte: eu não tenho nenhuma ajuda do setor fiscal, portanto vou cumprir minha missão", disse Antonio Delfim Netto, ex-ministro das Finanças nas décadas de 1960 e 1970.   Continuação...

 
Presidente do BC, Alexandre Tombini, em cerimônia no Palácio do Planalto em Brasília. Levando em conta o desempenho de Alexandre Tombini à frente do Banco Central, investidores podem ser perdoados por achar que ele é excessivamente tolerante à inflação. 15/03/2013 REUTERS/Ueslei Marcelino