Dólar tomba 3,2%, maior queda quase em 2 anos, com plano do BC

sexta-feira, 23 de agosto de 2013 17:27 BRT
 

SÃO PAULO, 23 Ago (Reuters) - O dólar despencou mais de 3 por cento nesta sexta-feira, a maior queda diária em quase dois anos, derrubado pelo plano do Banco Central de intervir diariamente no mercado de câmbio até o final do ano, por meio de um programa de 60 bilhões de dólares.

O plano aliviou a pressão sobre o câmbio brasileiro, que tem sofrido com a expectativa de retirada de estímulos monetários nos Estados Unidos e com a incertezas em relação à economia do país.

O dólar caiu 3,2 por cento, a maior queda diária desde 23 de setembro de 2011, para 2,3534 reais na venda. Segundo dados da BM&F, o giro financeiro ficou em torno de 870 milhões de dólares.

"A medida é muito boa. O BC garantiu muita liquidez para o sistema de câmbio, e ainda disse que pode fazer mais", disse o economista sênior do Espírito Santo Investment Bank, Flavio Serrano, para quem a disparada do dólar havia levado a divisa para níveis "exagerados".

Na noite de quinta-feira, o BC anunciou um programa de leilão cambial que terá um cronograma diário de intervenção por meio da venda de swap cambial tradicional --equivalente a venda no mercado futuro-- e oferta de linha, ou venda de dólares com compromisso de recompra. O objetivo, segundo o BC, é "prover hedge cambial aos agentes econômicos e liquidez ao mercado".

O programa já começou a ser tirado do papel nesta sexta-feira, por meio de um leilão de linha realizado entre 11h15 e 11h20 com data de recompra 2 de janeiro de 2014.

O BC também divulgou durante a tarde os detalhes do primeiro leilão de swap tradicional do programa, que ocorrerá na segunda-feira entre as 9h30 e as 9h40. A autoridade monetária ofertará 10 mil contratos com vencimento em 2 de dezembro de 2013, sem finalidade de rolagem, e o resultado será conhecido a partir das 9h50.

A avaliação inicial de analistas é de que o programa não deve reverter a tendência de desvalorização do real em relação ao dólar, mas servirá para realinhar a moeda brasileira à de outros países emergentes. O real vinha sofrendo mais com a perspectiva de mudança da política monetária dos Estados Unidos por conta da deterioração das expectativas dos investidores com a condução da política econômica brasileira.

Para o Barclays, a tendência é o dólar passar a variar em uma banda de 2,35 a 2,40 reais. "A medida deve ajudar a conter a deterioração excessiva do real e até mesmo trazer a cotação para uma faixa de variação de 2,35 a 2,40 (reais). Mas a medida não deve reverter a tendência de desvalorização do real, que tem sido guiada pela política monetária dos EUA e pela política fiscal brasileira."   Continuação...