23 de Agosto de 2013 / às 21:30 / em 4 anos

Leilão de energia contrata 1.505 MW de eólicas

\Gado pasta próximo a turbinas de geração eólica em Paracuru, na costa do Estado do Ceará. O leilão de reserva desta sexta-feira contratou energia de 1.505 megawatts (MW) em projetos eólicos ao preço médio de 110,51 reais por megawatt-hora (MWh), resultado acima das expectativas do governo e de associação das empresas do setor. 24/04/2009 REUTERS/Stuart Grudgings

Por Anna Flavia Rochas

SÃO PAULO, 23 Ago (Reuters) - O leilão de reserva desta sexta-feira contratou energia de 1.505 megawatts (MW) em projetos eólicos ao preço médio de 110,51 reais por megawatt-hora (MWh), resultado acima das expectativas do governo e de associação das empresas do setor.

A energia foi vendida com desconto de 5,54 por cento ante o máximo inicial estabelecido, de 117 reais por MWh. Entre as que venderam energia de projetos no leilão estão Furnas e Chesf, da Eletrobras, como minoritárias em consórcios, além da Renova Energia, Enerfin (do grupo espanhol Elecnor).

“Foi um leilão de sucesso, que atingiu seus objetivos, de contratar quantidade expressiva de energia a um preço bastante competitivo”, disse o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, a jornalistas.

Segundo ele, o preço de energia vendida foi “surpreendentemente baixo”, diante das regras mais rígidas no leilão e da alta do dólar, que afeta os preços de equipamentos. A Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica) considerou o resultado do leilão muito acima das expectativas.

“O resultado de 1,5 GW foi fantástico... E gostamos do preço médio também. Não esperávamos que (o resultado do leilão) fosse tão bom”, disse a presidente da associação, Elbia Melo. Segundo ela, a associação espera que cerca de 2 GW de nova capacidade de energia eólica sejam viabilizados por ano no país.

No leilão, foram vendidos 118.428.660 MWh em contratos de 20 anos, com entrega a partir de setembro de 2015. Os leilões de reserva servem para incrementar a oferta de energia do sistema e reduzir os riscos de desequilíbrio entre oferta e demanda.

Os 66 projetos vencedores do leilão estão na Bahia, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Piauí, Ceará e Pernambuco. O leilão movimentou 13,07 bilhões de reais em contratos de energia elétrica comercializados.

O preço mais baixo da energia vendida no leilão foi de 98,5 reais por MWh, de um parque na Bahia. O preço mais alto foi de 116,29 de parques em Caetité, também na Bahia.

A Renova Energia vendeu 73,7 MW médios de nove parques eólicos, na Bahia, que correspondem a 159 MW de capacidade instalada, informou a empresa em comunicado.

A Eletrobras informou que suas subsidiárias Furnas e Chesf venceram o leilão, com participações minoritárias em consórcios com empresas privadas. A Eletrobras tem participação acionária em 38 dos 66 parques que venderam energia no leilão. Os projetos estão localizados na Bahia, Piauí, Ceará e Rio Grande do Norte.

O parceiro de Furnas foi o Fundo Caixa Milão, da J&F, com13 parques eólicos vencedores, no total de 248 MW, e investimentos previstos de 1 bilhão de reais. Chesf e Eletrobras não puderam informar de imediato a parceira privada da Chesf.

O leilão teve 377 projetos cadastrados, no total de cerca de 9 gigawatts (GW).

“O que essa grande oferta nos indica é que existe um espaço para a eólica crescer na matriz (energética)”, disse Tolmasquim.

O leilão ocorreu em momento em que empresas enfrentavam um cenário menos propício para realizar ofertas agressivas, com a alta do dólar influenciando o preço de equipamentos e exigência de maior eficiência dos parques.

A CPFL Renováveis, do grupo CPFL, por exemplo, chegou a se habilitar para participar do leilão mas optou por não vender energia ao concluir que “os preços apresentados no leilão não seriam suficientes para garantir uma taxa de retorno adequada”, disse em posicionamento por email.

A Copel não participou do leilão, mas negocia compra de participação dentre os vencedores, segundo a assessoria de imprensa da companhia.

REGRAS

Nesse leilão, passou a valer a regra de que parques eólicos têm que garantir eficiência de 90 por cento da geração de energia declarada (P90), ante 50 por cento nos leilões anteriores.

Além disso, os empreendimentos interessados em vender energia tiveram que primeiro disputar uma “vaga” para conexão ao sistema de transmissão de energia - regra estabelecida pelo governo para evitar que atrasos na construção de linhas de transmissão prejudiquem a entrada em operação dos parques.

Segundo Tolmasquim, o leilão viabilizou projetos que usarão 25 por cento do total da capacidade do sistema de transmissão que estava disponível no leilão.

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