Economia fraca influencia mais inflação agora do que dólar alto, avalia fonte

terça-feira, 27 de agosto de 2013 18:21 BRT
 

Por Patrícia Duarte

SÃO PAULO, 27 Ago (Reuters) - A economia ainda fraca no Brasil tem, neste momento, influência maior sobre o comportamento dos preços no país, auxiliando no combate da inflação, do que a recente disparada do dólar ante o real, que tem potencial para fazer o contrário, avalia uma fonte da equipe econômica do governo da presidente Dilma Rousseff.

"A atividade econômica puxa (a inflação) mais para baixo, até porque o dólar ainda não bateu", disse a fonte à Reuters, acrescentando que isso pode não ser verdade daqui a três meses.

Diante de um cenário externo mais conturbado e falta de confiança na política econômica doméstica, o dólar começou a ganhar força a partir de maio. Desde então, registrou valorização de cerca de 20 por cento e chegou recentemente a ser negociado a 2,45 reais, no maior nível em quase cinco anos.

A fonte, que falou sob condição de anonimato, reconheceu que o dólar mais forte terá efeito sobre a inflação adiante, e o cenário de atividade econômica fraca exercendo mais peso nos preços que o câmbio pode não ser verdade daqui a "um, dois ou três meses".

A avaliação da fonte leva em consideração o ciclo de aperto monetário, que já tirou a taxa básica de juro Selic da mínima histórica de 7,25 por cento e a levou para o atual patamar de 8,50 por cento ao ano.

Na quarta-feira, o Comitê de Política Monetária (Copom) decidirá sobre o futuro da Selic e, mesmo com a pressão do câmbio, a maior parte do mercado acredita que o Banco Central vai manter o atual ritmo de alta do juro, elevando a taxa em 0,50 por cento, a 9 por cento ao ano.

O BC iniciou o atual ciclo de aperto em abril, com uma elevação da Selic em 0,25 ponto. Em seguida, vieram dois aumentos de 0,50 ponto, um em maio e outro em julho.

Com o juro maior, o BC tenta conter a inflação. O IPCA, apesar de ter perdido força no mês passado, ainda permanece perto do teto da meta do governo, que é de 4,5 por cento com dois pontos de tolerância para mais ou para menos.   Continuação...