Argentina tem novo plano de troca de dívida sem prazo final para adesão

quarta-feira, 28 de agosto de 2013 16:26 BRT
 

Por Hugh Bronstein e Walter Bianchi

BUENOS AIRES, 28 Ago (Reuters) - A presidente da Argentina, Cristina Fernández, propôs nesta quarta-feira uma nova oferta de troca de títulos, que visa atender os credores que não fizeram acordo após o país ter entrado em default há mais de uma década, que difere em apenas uma maneira dos acordos anteriores: não tem prazo final para adesão dos credores.

Ao eliminar uma data de vencimento da oferta, de acordo com projeto enviado ao Congresso nesta quarta-feira, a Argentina tenta reparar sua tensa relação com tribunais dos Estados Unidos, que criticam a forma como o governo tem lidado com os desdobramentos do default de 100 bilhões de dólares em dívida soberana em 2002.

Juízes dos EUA têm se queixado que as duas recentes reestruturações de dívida argentina, em 2005 e 2010, ofereceram apenas janelas limitadas de tempo para que os detentores trocassem seus títulos por novos papéis menos atraentes do que a dívida original.

Credores que detêm 93 por cento dos bônus inadimplentes aceitaram as reestruturações de 2005 e 2010, recebendo menos de 30 centavos por dólar de dívida. Os credores restantes foram às cortes norte-americanas para exigir o pagamento do valor de face dos títulos.

Nas reestruturações de 2005 e 2010, foram dados apenas meses para que os credores trocassem seus títulos.

A nova troca, sem prazo para final, oferecerá novamente aos credores 30 centavos por dólar. Com o Congresso argentino dominado por parlamentares aliados à presidente Cristina, que em seu segundo mandato, espera-se que o projeto seja aprovado.

Na sexta-feira, a Argentina perdeu um recurso contra a ordem de uma corte dos EUA exigindo que o país pague 1,33 bilhão de dólares aos credores que não aderiram às trocas anteriores. Cristina está entrando com um recurso contra a decisão e também está tentando trocar a dívida internacional reestruturada da Argentina por bônus a serem governados pela lei argentina, e não pela lei dos EUA.

A Argentina tem até agora conseguido evitar uma nova crise da dívida devido a cautela dos juízes, que na semana passada determinaram que a decisão sobre o pagamento deve ser implementada apenas depois de ser analisada pela Suprema Corte dos EUA, o que provavelmente demorará meses.