August 28, 2013 / 10:50 PM / 4 years ago

BC eleva juro básico para 9% e indica que manterá velocidade no aperto monetário

4 Min, DE LEITURA

BRASÍLIA, 28 Ago (Reuters) - O Banco Central elevou nesta quarta-feira a taxa básica de juros Selic em 0,50 ponto percentual, para 9 por cento ao ano, indicando que deve manter por mais tempo o atual ritmo de aperto monetário para conter a inflação, em um momento em que a moeda brasileira perde valor em relação ao dólar.

Ao explicar a decisão de aumentar pela quarta vez seguida a taxa Selic, o Comitê de Política Monetária repetiu o comunicado utilizado nas duas últimas reuniões, dando a entender ao mercado de que elevará novamente a taxa em 0,5 ponto percentual na próxima reunião, em outubro.

"O Comitê avalia que essa decisão contribuirá para colocar a inflação em declínio e assegurar que essa tendência persista no próximo ano", disse Copom em comunicado.

A decisão unânime do Copom veio em linha com as expectativas do mercado. Pesquisa da Reuters mostrou na semana passada que 44 de 46 analistas previam alta de 0,50 ponto percentual da Selic na reunião desta quarta-feira.

"O comunicado foi a repetição do que foi colocado no comunicado anterior. Então todo mundo vai precificar (alta de)0,50 ponto na curva de juros (para a reunião de outubro do Copom)... À luz do que se tem hoje, o BC mantém o ritmo", afirmou o economista-chefe do Espirito Santo Investment Bank, Jankiel dos Santos. Ele acrescentou, contudo, que caso a cena econômica atual mude, o BC pode também alterar sua sinalização.

O atual ciclo de aperto monetário teve início em abril, quando o Copom tirou o juro da mínima histórica de 7,25 por cento, com alta de 0,25 ponto percentual naquele mês. Em seguida, vieram dois aumentos de 0,50 ponto, um em maio e outro em julho, com o objetivo de combater a inflação.

O IPCA --indicador oficial de inflação do país-- estourou o teto da meta do governo no acumulado em 12 meses em março. Ainda que tenha perdido força nos últimos meses, continua muito elevado: em julho, estava em 6,27 por cento em 12 meses, perto do teto da meta do governo, que é de 4,5 por cento com margem de tolerância de dois pontos para mais ou menos.

O comportamento do dólar, que acumula alta superior a 17 por cento desde maio e bateu em 2,45 reais recentemente, é mais um fator de preocupação do governo para a inflação, ainda mais porque acaba colocando pressão para um aumento dos preços dos combustíveis no mercado interno. A Petrobras sofre com a divisa norte-americana mais valorizada por ser importar combustíveis.

Além da inflação pressionada, a economia brasileira não deslanchou, abalada ainda pela falta de confiança de agentes econômicos e investidores na política econômica doméstica, deixando o trabalho do BC mais difícil.

Agentes econômicos acreditam que o Produto Interno Bruto (PIB) deve crescer em torno de 2 por cento neste ano e o próprio governo reconhece que no terceiro trimestre a economia vai desacelerar ante o período de abril a junho.

Uma importante fonte da equipe econômica afirmou à Reuters mais cedo nesta semana que, neste momento, a economia fragilizada do Brasil tem influência maior sobre o comportamento dos preços no país, auxiliando no combate da inflação, do que a recente disparada do dólar ante o real, que tem potencial para fazer o contrário. Essa realidade, no entanto, pode mudar daqui a "um, dois ou três meses", disse a fonte.

Com a disparada do dólar, as expectativas sobre um processo de aperto monetário mais longo começaram a ganhar força, e as instituições consultadas pelo BC para o boletim Focus que mais acertam no médio prazo passaram a prever que o ciclo de elevação do juro se encerre apenas em janeiro de 2014, quando a Selic chegaria a 10 por cento.

Reportagem de Luciana Otoni e Anthony Boadle

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