BC brasileiro opta por linguagem mais simples após problemas na comunicação

quinta-feira, 29 de agosto de 2013 15:53 BRT
 

Por Alonso Soto

BRASÍLIA, 29 Ago (Reuters) - Neste momento de intensa turbulência financeira em casa e no exterior, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, está se afastando da linguagem tipicamente complexa e críptica de autoridades monetária e está optando por uma nova postura: falar de forma simples.

Criticado por confundir investidores com sinais ambíguos sobre mudanças na política monetária, Tombini aperfeiçoou suas habilidades de comunicação e agora está se restringindo a mensagens mais curtas e claras aos mercados financeiros.

A previsibilidade é valiosa para as autoridades brasileiras que enfrentam dificuldades para recuperar a confiança de investidores na ex-estrela dos mercados emergentes, que hoje sofre com baixo crescimento e alta inflação.

"Eles estão se comunicando melhor, então tornam suas ações mais previsíveis e, com isso, mais eficientes e poderosas", disse o economista-chefe para a América Latina do Goldman Sachs, Alberto Ramos. "Não precisamos de uma projeção muito específica, mas precisamos que eles digam que farão o necessário para reancorar a inflação".

Presidentes de bancos centrais, de forma geral, são conhecidos por favorecer a linguagem obscura difundida pelo ex-chairman do Federal Reserve Alan Greenspan, que costumava balbuciar complexos termos monetários de forma quase inaudível para sua audiência.

Os opacos comunicados de Tombini conduziram muitas vezes investidores na direção errada.

Em março de 2012, ele sinalizou que uma desaceleração no ritmo do relaxamento monetário estava entre as opções, mas um mês depois surpreendeu os mercados com um grande corte na Selic, a taxa básica de juros. No fim do ano passado, Tombini indicou que os juros permaneceriam nas mínimas históricas por um período prolongado, mas reverteu a trajetória seis meses mais tarde.

Mensagens mistas, como sinalizar diferentes níveis de tolerância a um real mais fraco, têm erodido a credibilidade do BC e minado seus esforços no sentido de ancorar as altas expectativas inflacionárias, dizem analistas.   Continuação...