Perdas na safra de trigo do Paraná devem aumentar por novas geadas

quinta-feira, 29 de agosto de 2013 18:53 BRT
 

SÃO PAULO, 29 Ago (Reuters) - As geadas registradas nos últimos dois dias em áreas de trigo do Paraná vão aumentar as perdas da safra do Estado deste ano, já atingida fortemente pelo mesmo fenômeno climático ocorrido em julho, disse um integrante da Secretaria de Agricultura paranaense.

O Departamento de Economia Rural (Deral) estimou no dia 14 deste mês quebra de 33 por cento para a safra de trigo paranaense em relação ao potencial produtivo, apontando para uma produção de 1,9 milhão de toneladas, contra 2,1 milhões de toneladas na colheita de 2012.

"Para o trigo, ainda não conseguimos estimar o quanto (vai cair a produção), deve aumentar um pouco essa quebra, que hoje está em 33 por cento", disse o economista do Deral, Marcelo Garrido, ao comentar as geadas desta semana.

O Paraná e o Rio Grande do Sul são os maiores produtores de trigo do Brasil, país que importa a maior parte de suas necessidades. Com uma quebra maior na safra, a importação pode aumentar, embora as perspectivas sejam favoráveis para as lavouras gaúchas.

Segundo Garrido, o Deral deverá divulgar a nova estimativa para a safra do Paraná ao fim de setembro, quando será possível quantificar melhor as perdas. Os prejuízos gerados pelo frio só ficam evidentes dias depois do fenômeno.

O economista lembrou que as geadas de terça para quarta-feira foram mais fortes do que as registradas na quinta-feira, mas não podem ser comparadas com as ocorridas em julho.

As geadas de quarta-feira atingiram a região centro-sul do Estado, onde boa parte do trigo está vulnerável ao frio.

Atualmente, cerca de 60 por cento das lavouras de trigo estão em floração e frutificação no Paraná, fases em que as geadas podem provocar prejuízos. Nas geadas de julho, o trigo plantado mais ao sul do Paraná não estava suscetível a perdas.

As geadas desta semana não atingiram as regiões ao norte do Estado, onde está a maior parte das lavouras de cana e café, que sofreram com o frio em julho.

(Por Roberto Samora)