Superávit primário brasileiro cai em julho e juros batem recorde

sexta-feira, 30 de agosto de 2013 18:04 BRT
 

Por Luciana Otoni e Alonso Soto

BRASÍLIA, 30 Ago (Reuters) - O setor público brasileiro registrou no mês passado o pior superávit primário para meses de julho desde 2010, enquanto os gastos com juros atingiram o maior valor da série histórica do Banco Central, em mais um sinal de deteriorização da política fiscal brasileira.

No mês passado o setor público consolidado --composto pelo governo central, Estados, municípios e empresas estatais -- teve superávit primário de 2,287 bilhões de reais, quase 60 por cento menor que o registrado em julho de 2012, mostraram dados divulgados nesta sexta-feira pelo Banco Central.

O resultado veio bem abaixo das estimativas de economistas consultados pela Reuters, de um superávit 6 bilhões de reais, e foi fortemente influenciado pelo déficit dos governos regionais.

O governo central, formado pelo governo federal, BC e INSS, teve um superávit primário de 3,768 bilhões de reais em julho, enquanto os Estados e municípios tiveram déficit primário de 1,5 bilhão de reais.

No acumulado nos primeiros sete meses do ano, o superávit primário soma 54,4 bilhões de reais, sendo 37,5 bilhões de reais do governo central e 16,9 bilhões de reais dos governos regionais.

A meta cheia de superávit primário para este ano é 155,9 bilhões de reais, ou cerca de 3 por cento do PIB, mas o governo pretende fazer uma economia de apenas 110,8 bilhões de reais, equivalente a 2,3 por cento do PIB. Dessa meta ajustada, o governo central responde por 63 bilhões de reais e os governos regionais por 47,8 bilhões de reais.

Como resultado obtido até julho foi fraco, o setor público terá que fazer uma economia fiscal de 56,3 bilhões de reais de agosto a dezembro para atingir a meta ajustada do ano.

"Ainda temos cinco meses, precisamos aguardar um pouco mais para ver a evolução dos fluxos nos próximos meses", disse o chefe do Departamento Econômico do BC, Tulio Maciel, a jornalistas nesta sexta-feira ao ser questionado se a meta será cumprida.   Continuação...