30 de Agosto de 2013 / às 21:30 / 4 anos atrás

Dólar tem 4º mês de alta ante real, apesar de forte ação do BC

Por Bruno Federowski e Marília Carrera

SÃO PAULO, 30 Ago (Reuters) - O dólar fechou a sexta-feira em alta ante o real, cravando o quarto mês consecutivo de ganhos, apesar das fortes intervenções do Banco Central, em meio a temores de uma ação militar liderada pelos Estados Unidos contra a Síria.

O dólar avançou 0,63 por cento, para 2,3851 reais na venda, após tocar na máxima do dia a cotação de 2,3971 reais. Segundo dados da BM&F, o giro financeiro ficou em torno de 1,6 bilhão de reais.

Em agosto, a divisa acumulou alta de 4,50 por cento ante o real. É a segunda maior valorização mensal da divisa no ano, perdendo apenas para maio, quando o avanço foi de 7,04 por cento.

"As declarações do secretário de Estado norte-americano fortalecem a ideia de que vai haver um ataque à Síria, e isso com certeza vai influenciar o dólar para cima, em função da aversão ao risco", disse o economista-chefe da INVX Global, Eduardo Velho.

O secretário de Estado norte-americano, John Kerry, defendeu nesta sexta-feira uma ação militar limitada dos EUA contra a Síria pelo suposto uso de armas químicas, afirmando que o regime do presidente Bashar al-Assad não pode ficar impune por um "crime contra a humanidade".

A perspectiva de uma intervenção militar na Síria levou investidores a buscarem ativos de menor risco, como aqueles denominados em dólar. Contra uma cesta de divisas, o dólar norte-americano ganhava 0,10 por cento.

Segundo analistas, o novo componente de incertezas reforça a tendência de valorização do dólar em escala global, somando-se às expectativas de uma iminente redução no estímulo monetário nos Estados Unidos. A perspectiva de redução na oferta mundial de dólares resultante dessa decisão tem assombrado os mercados há meses, levando o dólar a acumular alta de 19,17 por cento em relação ao real desde maio.

"Todo mundo sabe que o dólar vai subir. Todo o fluxo de notícias aponta para isso", afirmou o operador de uma corretora internacional em São Paulo.

A persistência de alta do dólar levou o BC a sair de seu cronograma de intervenção diário no mercado. Realizou durante a manhã um leilão de swap cambial tradicional --equivalente a uma venda futura de dólares --, vendendo todos os 30 mil contratos com vencimentos em 1º de novembro deste ano e 2 de janeiro de 2014.

E, depois de não ter aceitado nenhuma oferta nos dois lotes de leilão de linha --venda com compromisso de recompra--, voltou a realizar um novo leilão nos mesmo parâmetros, no valor de até 1 bilhão de dólares. Neste caso, chegou a aceitar propostas com taxa de recompra de 2,47 reais.

Na segunda-feira, feriado nos Estados Unidos pelo comemoração do Dia do Trabalho, o BC irá realizar dois leilões de swap cambial tradicional,

No primeiro leilão, o BC ofertará, entre às 9h30 e às 9h40, 10 mil contratos de swap cambial tradicional com vencimento em 2 de dezembro de 2013, com o resultado sendo divulgado a partir das 9h50. No segundo leilão serão ofertados 20 mil contratos, entre as 10h30 e 10h40.

Segundo analistas, é possível que o BC seja obrigado a intensificar suas intervenções no câmbio, uma vez que o componente de incertezas nos mercados mundiais tem crescido significativamente. Mesmo assim, a percepção é que a postura da autoridade monetária tem funcionado até agora.

"Se ocorrer uma intervenção militar mais prolongada do que o esperado, que leve a aversão ao risco, não descarto que o BC reforce essa atuação", afirmou Velho, da INVX Global. "Agora, o impacto das atuações do BC, de certa maneira, foi eficaz: de sexta-feira até hoje, o dólar ficou abaixo de 2,40."

Durante a manhã, contribuiu para um ambiente de maior estresse no mercado de câmbio a formação da Ptax do mês, que serve de referência para alguns contratos.

"A formação da Ptax contribui para a volatilidade do câmbio. É uma guerra de quem está comprado e quem está vendido. Quem está vendido quer que caia, quem está comprado tenta puxar para subir", afirmou o superintendente de câmbio da Advanced Corretora, Reginaldo Siaca.

Durante a manha, o dólar chegou a operar em queda ante o real, reagindo ao crescimento mais forte da economia brasileira no segundo trimestre.

O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro avançou 1,5 por cento no segundo trimestre ante os primeiros três meses do ano, divulgou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta manhã, bem acima do esperado.

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