Varejistas chineses não sentem sinais de recuperação da economia

segunda-feira, 2 de setembro de 2013 10:50 BRT
 

HONG KONG (Reuters) - Se as coisas estão realmente começando a melhorar para a economia da China, com dados melhores que o esperado divulgados recentemente pelo governo, ninguém parece ter avisado as maiores varejistas do país.

Uma análise feita pela Reuters sobre o lucro do primeiro semestre das companhias mostrou que mais de 20 empresas chinesas que vendem de calçados a alimentos não estavam convencidas que a desaceleração atingira o fundo do poço, assim como seus clientes, tradicionalmente econômicos.

"A realidade por trás dos números é mais sombria", disse a Belle International Holdings, líder no varejo de calçados, após uma série de dados, apoiados por declarações do governo, terem indicado estabilização da segunda maior economia do mundo, após dois anos de queda no crescimento.

"Existem incertezas com as perspectivas para o futuro, com a economia lutando com uma transição difícil, que envolve o reequilíbrio estrutural e a reestruturação do modelo de crescimento", disse a Belle, que tem um valor de mercado de 11,6 bilhões de dólares e administra mais de 18 mil pontos de venda em 360 cidades chinesas.

"Numa reação defensiva, os consumidores estão cada vez mais inclinados a poupar e menos dispostos a gastar", acrescentou.

Os economistas há muito tempo duvidam da veracidade dos dados econômicos oficiais e esse ceticismo aumentou depois da China ter traçado um rumo para o crescimento apoiado sobre o avanço do consumo.

A medida oficial de vendas no varejo, por exemplo, conta uma venda a partir do momento do envio do produto, e não quando o artigo é efetivamente comercializado.

De todo o modo, os dados mais recentes apoiam as queixas dos varejistas. As vendas no varejo cresceram 13,2 por cento em julho sobre o mesmo período do ano passado, uma desaceleração ante os 14,3 por cento de crescimento anual em 2012, e 17,1 por cento de crescimento em 2011.

"A confiança do consumidor não mostrou nenhum sinal de recuperação significativa, afetando muitas empresas", disse a varejista de moda masculina China Lilang, que tem cerca de 3.500 lojas no país.   Continuação...