3 de Setembro de 2013 / às 12:44 / 4 anos atrás

Bens de capital pesam e produção industrial cai 2,0% em julho

Trabalhador monta carro da Ford em linha de montagem em fábrica de São Bernardo do Campo, SP, 13 de agosto de 2013. A produção industrial brasileira voltou a cair em julho ao registrar queda de 2 por cento frente a junho, indicando que a economia brasileira iniciou o terceiro trimestre com fraqueza depois do surpreendente desempenho do PIB nos três meses anteriores.Nacho Doce

Por Rodrigo Viga Gaier e Camila Moreira

RIO DE JANEIRO/SÃO PAULO, 3 Set (Reuters) - A produção industrial brasileira voltou a cair em julho, pressionada principalmente por bens de capital, indicando que a economia brasileira iniciou o terceiro trimestre com fraqueza depois do surpreendente desempenho do PIB nos três meses anteriores.

A queda de 2 por cento em julho ante o mês anterior divulgada nesta terça-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) praticamente anula a alta mensal de junho de 2,1 por cento, em número revisado após a divulgação de avanço de 1,9 por cento.

Na comparação com julho de 2012, a produção industrial teve expansão de 2,0 por cento. O IBGE também revisou ligeiramente para cima o crescimento de junho ante junho de 2012 para 3,2 por cento, ante 3,1 por cento anteriormente.

"Foi uma perda que mantêm a característica de 2013 de ser um ano de volatilidade muito grande, com alta intensa que é devolvida em seguida", disse a jornalistas o economista do IBGE André Macedo. "Não se via na indústria essa volatilidade pelo menos nos últimos 10 anos da pesquisa."

Os resultados foram piores do que as expectativas em pesquisa da Reuters de recuo mensal de 1,20 por cento e alta anual de 2,65 por cento.

Com o resultado de julho, a indústria opera agora 3,6 por cento abaixo do pico de produção registrado em maio de 2011, e em um nível semelhante ao do começo de 2010.

BENS DE CAPITAL

Todas as categorias de uso registraram queda em julho na comparação mensal, com destaque para o recuo de 3,3 por cento entre Bens de Capital, uma medida de investimento, num movimento que para o IBGE está ligada à menor produção de caminhões.

De acordo com Macedo vendas menores tanto de caminhões quanto de automóveis levaram a paradas na produção e a férias coletivas para ajustar o estoque. Dados da Anfavea mostraram que a indústria automotiva do Brasil produziu 2,7 por cento menos em julho ante junho.

Já os Bens de Consumo tiveram queda de 2,6 por cento, sendo que os duráveis se destacaram com recuo de 7,2 por cento, enquanto os Semiduráveis e não Duráveis recuaram 1,5 por cento. Neste grupo, o dólar mais alto estaria reduzindo a importação de insumos e o nível elevado da inflação também inibe a demanda interna.

"Você importa menos e modifica o planejamento do setor envolvido, produzindo menos. Tem ainda uma inflação mais alta com renda disponível menor que poderia afetar o setor", disse o economista do IBGE.

Por fim, a produção de Bens Intermediários registrou queda de 0,7 por cento em julho.

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Gráfico dados da indústria: link.reuters.com/xaw47s

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Pelos ramos de atividade, 15 dos 27 pesquisados apresentaram queda mensal, com destaque para veículos automotores (-5,4 por cento) e farmacêutico (-10,7 por cento). Também tiveram importante contribuição negativa borracha e plástico (-4,5 por cento), celulose, papel e produtos de papel (-3,6 por cento) e alimentos (-1,4 por cento).

Na ponta oposta destacam-se refino de petróleo e produção de álcool (3,3 por cento), bebidas (2,3 por cento), material eletrônico, aparelhos e equipamentos de comunicações (3,5 por cento) e produtos de metal (2,0 por cento).

FUTURO POUCO ANIMADOR

Apesar do comportamento errático do setor neste ano, pela contabilidade do PIB, a indústria cresceu 2,0 por cento no segundo trimestre, em comparação a janeiro-março, e 2,8 por cento sobre igual período de 2012.

O Produto Interno Bruto como um todo cresceu 1,5 por cento na comparação trimestral, a maior expansão em mais de três anos, e 3,3 por cento na anual.

Mas o resultado da produção industrial de julho --o terceiro negativo no ano-- soma-se à queda na produção de veículos e de aço bruto no país e alimenta as expectativas de perda de ímpeto da economia no terceiro trimestre.

"A leitura fraca da produção industrial em julho sustenta nossa visão de que após o sólido aumento de 1,5 por cento do PIB no segundo trimestre, a atividade real deve permanecer estável durante o terceiro trimestre, com riscos tendendo para a possibilidade de se observar uma leitura negativa", avaliou o diretor de pesquisa econômica do Goldman Sachs para América Latina, Alberto Ramos, prevendo nova contração da produção industrial em agosto.

Um dos principais abalos é a falta de confiança entre os vários setores da economia. Em agosto a confiança da indústria apurada pela Fundação Getulio Vargas renovou o menor nível desde julho de 2009, ao recuar 0,6 por cento.

A pesquisa Índice de Gerentes de Compras (PMI) sobre o setor também não pinta um cenário muito favorável. Embora o ritmo de deterioração tenha diminuído, o indicador permanece em território de contração pelo segundo mês seguido ao atingir 49,4 em agosto ante 48,5 em julho.

"A produção industrial tem um cenário de enfraquecer cada vez mais mesmo com o câmbio desvalorizado. A indústria não reage porque a economia doméstica está se desenvolvendo na parte de serviços e porque ela não se renovou", avaliou o economista-chefe da Austin Rating, Alex Agostini.

Reportagem adicional de Felipe Pontes, no Rio de Janeiro; Edição de Alexandre Caverni

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