ENTREVISTA-Pague Menos troca IPO por debêntures para financiar crescimento

terça-feira, 3 de setembro de 2013 14:27 BRT
 

SÃO PAULO, 2 Set (Reuters) - Após desistir de se listar na bolsa no ano passado, a rede de farmácias Pague Menos avalia que ainda não é hora de retomar o plano e considera uma nova emissão de debêntures para fazer frente ao seu vultoso plano de investimentos, disse o presidente e controlador da empresa, Francisco Deusmar de Queirós.

Até 2017, a Pague Menos quer atingir a marca de 1.000 lojas no país, ante as 630 atuais. Para tanto, planeja investir cerca de 800 milhões de reais, com parte do dinheiro aplicado na compra de imóveis que serão usados para os pontos de venda --a ideia é que essas lojas cheguem a 50 por cento do total. Hoje, representam 35 por cento da rede.

Terceira maior bandeira de drogaria do Brasil em receita e única com presença em todos os Estados, a companhia também afasta a possibilidade de adquirir rivais para ganhar musculatura, estratégia adotada por suas maiores competidoras nos últimos anos.

Em 2011, a Droga Raia se uniu à Drogasil, dando origem à Raia Drogasil, atual número 1 no ranking de vendas. Menos de um mês depois, foi a vez da Drogaria São Paulo fundir operações com a Pacheco --a empresa é a segunda maior do setor, segundo dados da Abrafarma, associação do setor.

Quarta maior em faturamento, a Brasil Pharma também comprou uma série de empresas desde 2010, incluindo Rosário Distrital, Guararapes Brasil e Farmais.

"Nosso crescimento sempre foi orgânico e por enquanto a nossa estratégia é continuar assim", disse Queirós. Com uma geração de caixa de 100 a 120 milhões de reais por ano, a empresa dispõe de recursos para financiar sua expansão, por enquanto, disse ele.

Para complementar esse montante, a empresa considera fazer uma nova emissão de debêntures. "Temos crédito muito bom e isso significa que podemos conseguir dinheiro mais barato. Talvez no próximo ano, a partir de maio, a gente vá precisar", disse à Reuters.

Já a estreia na Bovespa não deve acontecer tão cedo. Em outubro de 2012, a companhia pediu o cancelamento do registro da sua oferta inicial de ações (IPO), alegando deterioração nas condições de mercado.

"Os grandes investidores devem voltar a olhar para os IPOs no fim de 2014, início de 2015, quando o PIB der mostras de um crescimento anual acima de 4 por cento", disse Queirós, estimando que a empresa só voltará a pensar no assunto a partir daí.   Continuação...