3 de Setembro de 2013 / às 21:10 / em 4 anos

ONS pedirá acionamento de mais térmicas por situação no Nordeste

RIO DE JANEIRO, 3 Set (Reuters) - O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) vai sugerir o acionamento de mais térmicas para segurança elétrica no Brasil, para evitar que queimadas, comuns nesta época do ano, possam provocar blecautes como o que aconteceu na semana passada.

“Existe a possibilidade de acionar mais térmicas, ainda mais agora que houve um blecaute e a gente identifica que o período de agosto a setembro tem típico histórico de maior intensidade de queimadas”, disse o diretor-geral do ONS, Hermes Chipp, a jornalistas, antes de participar de evento Brazil WindPower, nesta terça-feira.

Segundo ele, a sugestão pelo acionamento de térmicas será feita na reunião do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), marcada para quarta-feira.

“Já que tem muita ocorrência de queimada, vamos aumentar a geração na região para compensar... eventuais riscos de segurança elétrica e perda no envio (de energia)”, disse Chipp.

Chipp disse ainda que os reservatórios na região Nordeste estão em níveis baixos e que o envio de energia de outras regiões para lá caiu de cerca de 4.300 megawatts (MW), antes do blecaute da semana passada, para 2.700 MW atualmente.

“Se o reservatório está baixo e o Nordeste está na pior hidrologia, se você coloca térmicas, desestoca (os reservatórios) menos para atender a carga”, disse Chipp.

Na quarta-feira passada, queimada no Piauí levou à saída de duas linhas de transmissão do sistema, isolando a região Nordeste e provocando blecaute em áreas de toda a região --já que passou a haver desequilíbrio entre oferta e demanda de energia no Nordeste.

A região Nordeste vive uma das piores secas da história e fontes do setor já haviam afirmado à Reuters, no fim de agosto, que a região poderia enfrentar problemas, diante do forte crescimento do consumo e limitações na exportação de energia de outros subsistemas para a região.

O nível dos reservatórios na região Nordeste atualmente está em 36,15 por cento, segundo dados do ONS coletados na segunda-feira.

Por Rodrigo Viga Gaier; Texto de Anna Flávia Rochas

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