Tensão sobre Síria é novo argumento da Petrobras para reajuste

terça-feira, 3 de setembro de 2013 18:40 BRT
 

Por Rodrigo Viga Gaier e Leonardo Goy

RIO DE JANEIRO/BRASÍLIA, 3 Set (Reuters) - A ameaça de uma ação militar contra a Síria, localizada em uma importante região produtora de petróleo, eleva a defasagem dos preços dos combustíveis no Brasil e adiciona um novo argumento por um reajuste como quer a Petrobras.

A estatal já vinha pedindo um aumento nos preços ao governo, seu acionista majoritário, diante da escalada recente do dólar ante o real (de perto de 20 por cento desde o fim de abril), que encarece as importações de combustíveis feitas pela companhia para abastecer o mercado doméstico.

"Uma eventual guerra na Síria pressionaria ainda mais o preço do barril do petróleo. Hoje, a defasagem dos preços dos combustíveis no mercado interno é grande, mas amanhã pode ser ainda maior", disse recentemente à Reuters uma fonte ligada à Petrobras, sob condição de anonimato.

O preços do petróleo nos EUA atingiram o seu maior nível no ano em 28 de agosto, enquanto o petróleo Brent está oscilando perto do maior patamar desde fevereiro.

Uma fonte do governo em Brasília, contudo, afirmou que a ameaça de guerra no país asiático não exerce necessariamente mais pressão para reajustar o preço dos combustíveis, ainda que eleve a cotação internacional do petróleo.

"Não fazemos reajuste do preço dos combustíveis em tempo real. Não se pode pensar apenas no pico do preço", disse a fonte, admitindo que existe uma análise sobre os preços dos combustíveis no mercado interno sendo feita "com cautela".

No fim da semana passada, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que não há previsão de autorizar um reajuste de combustíveis no país. Ao mesmo tempo, Mantega --que também preside o Conselho de Administração da Petrobras-- frisou que isso não significa que um aumento dos derivados do petróleo não será feito no futuro.

O governo resiste em permitir uma alta dos preços dos combustíveis devido ao impacto que isso teria na inflação, que está perto do teto da faixa da meta oficial, que é de 4,5 por cento ao ano com margem de dois pontos percentuais para mais ou menos.   Continuação...