Vendas de agroquímicos crescem 30% no 1o semestre--Andef

quarta-feira, 4 de setembro de 2013 15:09 BRT
 

Por Roberto Samora

SÃO PAULO, 4 Set (Reuters) - As vendas de defensivos agrícolas no Brasil cresceram cerca de 30 por cento no primeiro semestre deste ano em relação ao mesmo período de 2012, atingindo o patamar recorde de 6,7 bilhões de reais, com antecipações de compras de produtores em meio a um dólar mais forte, afirmou nesta quarta-feira o diretor-executivo da Associação Nacional de Defesa Vegetal (Andef), Eduardo Daher.

Os negócios do setor de agroquímicos são um bom termômetro sobre da situação financeira dos agricultores, embora o ritmo das vendas também seja influenciado pelo aparecimento de doenças fúngicas, insetos e ervas daninhas.

"As vendas estão evidentemente antecipadas no mercado brasileiro pelo efeito câmbio, apagão logístico e mesmo helicoverpa (praga que ataca as lavouras)", afirmou Daher em entrevista ao chat Trading Brazil da Thomson Reuters.

Os negócios do primeiro semestre normalmente são mais fracos em relação ao segundo semestre, mas neste ano os produtores --observando o dólar subir frente ao real-- anteciparam parte das compras com o objetivo de "travar" custos de matérias-primas denominadas na moeda norte-americana e importadas, disse o executivo da associação que representa 13 empresas de defensivos agrícolas que atuam no país, todas multinacionais.

No ano, a expectativa do setor é de um crescimento de 8 a 10 por cento nas vendas na comparação com 2012, reafirmou Daher. No entanto, o valor em reais do faturamento dependerá muito da cotação do dólar, uma vez que os negócios do setor são atrelados à moeda norte-americana.

O dólar forte beneficia, em um primeiro momento, o agricultor que produz commodities com preços atrelados à moeda estrangeira, mas posteriormente eleva os custos das matérias-primas.

"O câmbio é seguramente uma relação de amor e ódio no mercado de insumos", disse Daher, acrescentando que os negócios de trocas de insumos por produtos como soja e milho, conhecidos como "barters" se arrefeceram pela volatilidade do câmbio e dos preços das commodities.

"Vamos sentir melhor isto (como estão os 'barters') quando vierem as chuvas e a safra de verão", completou, lembrando que a soja e o milho estão entre as culturas agrícolas mais beneficiadas pelo câmbio.   Continuação...