Brasil poupa reservas internacionais, mas talvez não por muito tempo

quarta-feira, 4 de setembro de 2013 15:59 BRT
 

Por Walter Brandimarte

RIO DE JANEIRO, 4 Set (Reuters) - O Banco Central tem mantido fechado até agora seu cofre de 370 bilhões de dólares em reservas internacionais, mas pode precisar recorrer a ele nos próximos meses se investidores continuarem a perder fé no lento crescimento econômico do país.

Em 22 de agosto, o Brasil apresentou um plano de 60 bilhões de dólares para defender o real contra vendas generalizadas de ativos de mercados emergentes. A estratégia é baseada na oferta de contratos derivativos, o que significa que o BC pode satisfazer a demanda do mercado por dólares sem ter de se desfazer de suas reservas.

Após o dólar fortalecer-se cerca de 15 por cento em relação o real desde maio, uma das maiores flutuações do mundo, o plano levou muitos investidores a acreditar que o presidente do BC, Alexandre Tombini, está poupando armas para o caso de turbulências ainda mais fortes no futuro.

Mercados emergentes estão se preparando para um corte nos estímulos do Federal Reserve, banco central norte-americano, que pode vir já neste mês, levando investidores a retirar ainda mais recursos de investimentos de risco em mercados emergentes.

Em um sinal de crescente nervosismo em meio a importantes países em desenvolvimento, a Índia fez um apelo por intervenção cambial coordenada. Suspeita-se que fortes vendas coordenadas pelo banco central do país motivaram a recuperação da rúpia na quarta-feira.

A cautela brasileira provavelmente é uma boa ideia por ora, descreveram os economistas do Bank of America Merrill Lynch David Beker e Claudio Irigoyen em recente nota de pesquisa.

"Nossa percepção é que as reservas internacionais precisam ser administradas com cautela", escreveram, alertando o estoque de reservas brasileiras não são "tão grandes" se comparados com outros montantes circulando na maior economia da América Latina.

As reservas estão em nível saudável, a cerca de 16 por cento do Produto Interno Bruto (PIB), mas as empresas brasileiras têm cerca de 500 bilhões de dólares em dívida denominada na divisa norte-americana. E investidores estrangeiros têm mais 400 bilhões de dólares aplicados no mercado doméstico.   Continuação...