Brasil tem a maior saída de dólares para meses de agosto em 15 anos

quarta-feira, 4 de setembro de 2013 16:44 BRT
 

Por Tiago Pariz e Luciana Otoni

SÃO PAULO/BRASÍLIA, 4 Set (Reuters) - O Brasil registrou saída líquida de 5,850 bilhões de dólares em agosto, o maior déficit para o mês em 15 anos, resultado do forte saída de recursos da conta financeira para o pagamento de empréstimos contratados por bancos no exterior em meados de 2011 que venceram no mês passado.

A conta financeira --por onde passam os investimentos estrangeiros em portfólio, diretos, entre outros-- registrou saída líquida de 3,992 bilhões de dólares em agosto, enquanto a saída líquida pela conta comercial foi de 1,858 bilhão de dólares, informou o Banco Central nesta quarta-feira.

"Ainda é cedo para dizer se a tendência persiste nos próximos meses. Esse foi um mês atípico", afirmou o economista da Rosenberg Associados, Rafael Bistafa. "A tendência é de saída leve a moderada com alguma volatilidade dependendo operações pontuais", emendou Bistafa.

O resultado do mês é o pior para meses de agosto desde 1998, quando saíram do país 11,786 bilhões de dólares, num momento em que o país passava por forte turbulência diante da crise da Rússia que acabou levando à desvalorização do real seis meses mais tarde. É também a maior saída líquida desde dezembro do ano passado, quando o Brasil teve déficit de 6,755 bilhões de dólares.

BANCOS QUITAM EMPRÉSTIMOS NO EXTERIOR

O fluxo cambial ficou negativo em 3,102 bilhões de dólares na semana passada, também devido a uma forte saída de recursos pela conta financeira.

A conta financeira contabilizou saída líquida de 2,789 bilhões de dólares na semana passada, dos quais 2,085 bilhões de dólares apenas no dia 26 de agosto. Já a conta comercial teve déficit de 313 milhões de dólares entre os dias 26 e 30 de agosto.

É a segunda semana consecutiva de fortes saídas de recursos. Na semana de 19 a 23 de agosto, o déficit foi de 2,470 bilhões de dólares, mas dessa vez puxado pela conta que registra as movimentações comerciais.   Continuação...