Governo vai ligar 1 mil MW de térmicas por situação no Nordeste

quarta-feira, 4 de setembro de 2013 20:09 BRT
 

BRASÍLIA, 4 Set (Reuters) - O governo federal decidiu aumentar em cerca de mil megawatts (MW) a geração de térmicas no Nordeste para aliviar a transmissão de energia vinda de outras regiões, uma semana após a queda de duas linhas de transmissão causar um blecaute que atingiu todo o Nordeste.

A medida visa diminuir os riscos de novos blecautes enquanto a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) analisa a situação das linhas de transmissão que interligam os estados nordestinos com as demais regiões.

A decisão foi tomada nesta quarta-feira pelo Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE).

O secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, Márcio Zimmermann, disse em coletiva de imprensa que o acionamento das térmicas é "temporário" e deve durar cerca de 15 dias.

Ele não estimou quanto vai custar o acionamento dessas usinas e disse que isso depende do mix de combustíveis que forem utilizados (entre os quais carvão, gás e óleo), mas sinalizou que deve custar pelo menos 40 milhões ou 50 milhões de reais, dependendo do tempo de acionamento.

"Hoje conseguimos passar 3,8 mi MW (para o Nordeste). Baixando para 2,7 mil MW, uma eventual perturbação com perda de duas linhas, como foi aquela, não causaria blecaute na região Nordeste", disse Zimmermann.

"É uma situação temporária. Na Copa das Confederações, por exemplo, também adotamos um critério mais rigoroso", disse o secretário em entrevista.

O presidente da consultoria Thymos Energia, João Carlos Mello, comentou que a decisão foi acertada, mas ponderou que esse despacho emergencial mostra falhas no novo modelo de operação do sistema, que passou a embutir o custo das térmicas na formação de preços do setor. "O governo publicou resolução para acabar com o encargo do despacho das térmicas, colocaram um modelo novo e no primeiro mês já está falhando", disse.

Zimmermann disse que o novo sistema computacional que calcula os preços do setor, e já inclui as térmicas, apontou que, diante da proximidade do período chuvoso, o sistema - fora a região Nordeste - acomoda uma redução da geração térmica.

"O despacho de térmicas está diminuindo cerca de 2 mil MW médios do mês passado para setembro, por razões energéticas (...) em termos energéticos, está diminuindo a geração térmica no sistema. Porque a percepção de risco melhorou, porque agora estou a dois meses do início da estação chuvosa", explicou Zimmermann.

(Por Leonardo Goy)