BC do Japão se diz pronto para agir se alta de imposto ameaçar meta de inflação

quinta-feira, 5 de setembro de 2013 07:22 BRT
 

Por Leika Kihara e Stanley White

TÓQUIO, 5 Set (Reuters) - O Banco Central do Japão afirmou que a terceira maior economia do mundo está se recuperando e sinalizou que pode aumentar seu enorme estímulo apenas se uma alta planejada do imposto sobre vendas ameaçar sua meta de elevar a inflação para 2 por cento em dois anos.

O presidente do BC, Haruhiko Kuroda, afirmou nesta quinta-feira que não há necessidade de afrouxar mais a política agora, após uma série de dados levarem o BC a dizer que a economia está se recuperando, sua visão mais otimista desde março de 2008, antes da crise financeira global.

Ele convocou o governo a avançar com o aumento em duas etapas do imposto sobre vendas, afirmando que isso não vai prejudicar a economia e alertou que as políticas fiscal e monetária podem fazer pouco se a confiança nas finanças do Japão for perdida.

"É incerto como os preços de títulos do governo e ações vão reagir se o aumento do imposto sobre vendas for adiado", disse Kuroda em entrevista à imprensa após a reunião do BC.

"Mas se a confiança nas finanças do Japão for perdida como resultado e levar a uma forte queda nos preços dos títulos, não há escolha a não ser apertar a política fiscal. Também é muito difícil lidar com tal situação com a política monetária também", disse ele.

Aliviar os danos à economia provocados pelo aumento do imposto deve ser mais fácil porque as autoridades só precisam afrouxar mais o estímulo monetário e fiscal, completou Kuroda.

"Mesmo que o imposto sobre vendas seja elevado como programado, não esperamos que a economia tenha problemas", disse ele. "Se os riscos se materializarem e ameaçarem nossa meta de inflação de 2 por cento, vamos responder de forma apropriada."

Como esperado, o banco central votou de forma unânime nesta quinta-feira para manter a promessa de abril de elevar a base monetária, ou dinheiro e depósitos no banco central, a um ritmo anual de 60 trilhões de ienes (603 bilhões de dólares) a 70 trilhões de ienes.

As declarações de Kuroda foram dadas no momento em que se intensifica o debate política sobre avançar com o aumento do imposto sobre vendas de 5 por cento para 8 por cento em abril, e para 10 por cento em outubro de 2015.

O BC tem consistemente defendido a necessidade de arrumar as finanças do Japão e argumenta que a alta do imposto não ameaçará a recuperação econômica nem adiará um fim para a deflação.