BC vê política fiscal se deslocando para neutralidade e surpreende o mercado

quinta-feira, 5 de setembro de 2013 18:17 BRT
 

Por Luciana Otoni

BRASÍLIA, 5 Set (Reuters) - O Banco Central passou a considerar que há condições para que a política fiscal do setor público se desloque para uma "zona de neutralidade", alterando visão anterior de uma posição expansionista do gasto público, em uma avaliação interpretada por economistas como o primeiro sinal do fim do atual ciclo de aperto monetário.

"Criam-se condições para que, no horizonte relevante para a política monetária, o balanço do setor público se desloque para a zona de neutralidade", afirmou o BC na ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada nesta quinta-feira.

Para a economista da Consultoria Tendências Alessandra Ribeiro, a avaliação do Copom vem num momento em que não há sinais de melhora na contenção do gasto público e em meio a um processo no qual o Banco Central buscava resgatar sua credibilidade junto ao mercado.

"O BC alterou sua avaliação sobre a política fiscal em relação à ata anterior e passou a sinalizar que o balanço do setor público deve caminhar para a neutralidade", disse. "Isso é uma mudança bem relevante e, em última instância, sinaliza que o BC não vai muito longe no ajuste das condições monetárias."

"Essa avaliação da política fiscal ocorre justamente num momento em que o BC estava recuperando credibilidade do mercado e agora há um retrocesso nisso", disse a economista.

O governo trabalha com uma meta ajustada para o superávit primário do setor público de 2,3 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) para este ano, correspondente a 110,9 bilhões de reais, após previsão de abatimento de 45 bilhões de reais em gastos com desonerações e investimentos.

A meta cheia do superávit primário era de 155,9 bilhões de reais. De janeiro a julho, efetivamente o superávit primário ficou em 54,4 bilhões de reais.

Para 2014, o governo informou que perseguirá meta de superávit de 2,1 por cento do PIB, menor que a de 2013.   Continuação...

 
Homem caminha ao lado da sede do Banco Central em Brasília. O Banco Central passou a considerar que há condições para que a política fiscal do setor público se desloque para uma "zona de neutralidade", alterando visão anterior de uma posição expansionista do gasto público, em uma avaliação interpretada por economistas como o primeiro sinal do fim do atual ciclo de aperto monetário. 22/09/2011 REUTERS/Ueslei Marcelino