Brasil teme que espionagem dos EUA afete lance em leilão do pré-sal--fonte

segunda-feira, 9 de setembro de 2013 15:51 BRT
 

Por Sabrina Lorenzi e Leonardo Goy

RIO DE JANEIRO/BRASÍLIA, 9 Set (Reuters) - A denúncia de espionagem na Petrobras pelo governo dos EUA gerou preocupações de que os norte-americanos tenham tido acesso à estratégia da estatal brasileira no leilão do pré-sal, o que poderia afetar os lances realizados pelas companhias na licitação da reserva de Libra, disse uma fonte do governo brasileiro nesta segunda-feira.

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), por sua vez, informou que a denúncia de espionagem não afeta o cronograma nem as regras do certame, uma vez que as informações sobre Libra, a maior área exploratória de petróleo do país, já estão disponíveis para as empresas interessadas no leilão.

O governo norte-americano espionou as redes de computadores de empresas como Petrobras e Google, de acordo com documentos vazados da Agência de Segurança Nacional dos EUA (NSA, na sigla em inglês) exibidos pela Rede Globo.

Em nota divulgada no domingo, o diretor do Departamento dos Serviços de Inteligência dos EUA, James R. Clapper, afirmou que não é segredo para ninguém que o país coleta informações sobre questões econômicas e financeiras, especialmente para proteger cidadãos norte-americanos e os interesses dos aliados da nação. Mas ele ressaltou que o governo não compartilha segredos comerciais com companhias.

A reportagem do programa Fantástico, da Globo, não informou quando a suposta espionagem aconteceu, quais dados podem ter sido obtidos ou o que a agência estava buscando.

Empresas norte-americanas poderiam usar informações confidenciais da Petrobras para preparar suas ofertas no leilão, segundo a fonte, que pediu para ficar no anonimato. Isso reduziria a concorrência e os lances ofertados ao governo brasileiro pela exploração da área de Libra, acrescentou.

Já o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa afirmou à Reuters que, se realmente ocorreu espionagem e os americanos tiveram acesso a informações mais precisas sobre a estratégia da Petrobras no leilão de Libra, seria mesmo um risco ter os lances do leilão influenciados por tais informações.

"A história do petróleo sempre mostra que desde sempre ele é muito disputado pelos países", disse Costa, que atualmente é consultor de empresas. "Libra é uma área que não se tem igual no mundo, nesse tipo de leilão, aberto a outras empresas, é algo muito valioso", acrescentou, ponderando que é preciso antes de tudo confirmar se realmente houve espionagem.   Continuação...