Brasil teme que espionagem dos EUA afete lance em leilão do pré-sal, diz fonte

segunda-feira, 9 de setembro de 2013 17:33 BRT
 

Por Sabrina Lorenzi e Leonardo Goy

RIO DE JANEIRO/BRASÍLIA, 9 Set (Reuters) - A denúncia de espionagem na Petrobras pelo governo dos Estados Unidos gerou preocupações de que os norte-americanos tenham tido acesso à estratégia da estatal brasileira no leilão do pré-sal, o que poderia afetar os lances realizados pelas companhias na licitação da reserva de Libra, disse uma fonte do governo brasileiro nesta segunda-feira.

Segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a denúncia de espionagem não afeta o cronograma nem as regras do certame, uma vez que as informações sobre Libra, a maior área exploratória de petróleo do país, já estão disponíveis para as empresas interessadas no leilão.

O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, confirmou que o cronograma do primeiro leilão do pré-sal sob o sistema de partilha está mantido e que as regras da licitação, prevista para 21 de outubro, não serão alteradas.

"A Petrobras vai emitir uma nota hoje (segunda-feira) sobre o assunto. Quanto à questão política, só o Palácio do Planalto e o Itamaraty", disse Lobão a jornalistas, após participar de solenidade de sanção da lei que destina os recursos dos royalties do pré-sal para a saúde e a educação.

O governo norte-americano espionou as redes de computadores de empresas como Petrobras e Google, de acordo com documentos vazados da Agência de Segurança Nacional dos EUA (NSA, na sigla em inglês) exibidos pela Rede Globo.

Em nota divulgada no domingo, o diretor do Departamento dos Serviços de Inteligência dos EUA, James R. Clapper, afirmou que não é segredo para ninguém que o país coleta informações sobre questões econômicas e financeiras, especialmente para proteger cidadãos norte-americanos e os interesses dos aliados da nação. Mas ele ressaltou que o governo não compartilha segredos comerciais com companhias.

A reportagem do programa Fantástico, da Globo, não informou quando a suposta espionagem aconteceu, quais dados podem ter sido obtidos ou o que a agência estava buscando.

A fonte do governo ouvida pela Reuters, que falou sob condição de anonimato, disse que empresas norte-americanas poderiam usar informações confidenciais da Petrobras para preparar suas ofertas no leilão. Isso reduziria a concorrência e os lances ofertados ao governo brasileiro pela exploração da área de Libra, acrescentou.   Continuação...