Brasil amplia cota de importação de trigo sem tarifa

segunda-feira, 9 de setembro de 2013 21:20 BRT
 

SÃO PAULO, 9 Set (Reuters) - O Conselho de Ministros da Câmara de Comércio Exterior (Camex) decidiu nesta segunda-feira prorrogar, até 30 de novembro deste ano, o prazo para importação de trigo com redução do Imposto de Importação de 10 por cento para zero, com uma cota adicional de 400 mil toneladas, segundo nota do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.

Com a decisão desta segunda-feira, o total autorizado para importação com redução tarifária é de 2,7 milhões de toneladas de trigo, segundo o ministério.

O Brasil normalmente importa, sem tarifas, a maior parte de suas necessidades de países do Mercosul. Para compras fora do bloco comercial, é cobrada a tarifa de 10 por cento. Uma vez que os países vizinhos estão sem volumes satisfatórios do cereal atualmente, o governo institui uma cota isenta de taxa para importações extra Mercosul.

"O aumento do prazo e a complementação da cota foram motivados pelas atuais condições do mercado brasileiro, com escassez provocada pela quebra da safra no Paraná, o principal produtor nacional, e na Argentina, o principal fornecedor externo do Brasil", justificou o ministério.

A decisão da Camex também levou em conta a redução dos estoques da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), e o impacto inflacionário do produto, cujos preços estão em valores recordes no mercado interno pela baixa oferta --colheita da safra nacional está apenas no seu início.

"O Conselho de Ministros está acompanhando a evolução do mercado brasileiro de trigo e monitorando seus efeitos na economia, com a preocupação de resguardar também os interesses do agricultor nacional", afirmou o ministério, referindo-se ao impacto que uma cota adicional livre de tarifa teria para os preços do trigo brasileiro.

A Resolução no 11/2013 da Câmara de Comércio Exterior (Camex) reduziu inicialmente a alíquota do trigo em grão de 10 por cento para zero, no período de 1o de abril a 31 de julho deste ano, para uma cota de 1 milhão de toneladas. Devido às quebras de safra no Mercosul e no Brasil, o prazo tem sido estendido e a cota, ampliada.

(Por Roberto Samora)