ENTREVISTA-Gávea lança fundo de US$200 mi para projetos imobiliários

terça-feira, 10 de setembro de 2013 17:17 BRT
 

Por Marcela Ayres

SÃO PAULO, 10 Set (Reuters) - A Gávea Investimentos vai lançar um fundo de cerca de 200 milhões de dólares para investir em projetos imobiliários, afirmou o sócio da gestora e diretor responsável, Rossano Nonino, dentro da estratégia de fazer a área atingir 5 bilhões de reais em ativos sob gestão num prazo de cinco anos.

Apesar de ser dedicado a um único investidor institucional internacional --cujo nome e nacionalidade não foram revelados em função de cláusula de confidencialidade--, o fundo terá uma fatia de 5 por cento da Gávea em conjunto com o JP Morgan.

A informação veio um dia após o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) ter aprovado uma associação entre ambos, dando carta branca para a constituição do Gávea Real Estate JV I LP, que investirá no desenvolvimento de empreendimentos imobiliários no Brasil. A parceria terá o prazo de oito anos.

Segundo Rossano, a maior parte do capital investido virá do investidor, estrangeiro, com a fatia da Gávea e do JP Morgan se justificando pelo fato dos investidores "sempre requererem que a gente coloque um pouco de dinheiro junto para mostrar alinhamento de interesses". Em 2010, o JP Morgan comprou o controle da Gávea através de uma subsidiária.

O fundo é mais um passo da gestora rumo ao objetivo de somar 5 bilhões de reais em ativos sob gestão da área imobiliária num prazo de cinco anos, disse o executivo, o que deve representar de 5 a 10 por cento do total administrado pela Gávea. Até julho, o patrimônio sob gestão da empresa era de cerca de 16 bilhões de reais.

O processo que culminou na sua criação começou no ano passado, quando a gestora buscou investidores no exterior, afirmou Nonino. Ex-diretor da Brazilian Capital, ele entrou na Gávea em abril de 2012 com a missão de capitanear os investimentos imobiliários.

"Muitos investidores internacionais vêem essa queda (de atratividade) do Brasil, particularmente no mercado imobiliário, mais como uma chance do que como uma ameaça", disse.

Para o diretor da Gávea, vai haver uma depuração dos competidores do setor no país, passada a fase de lançamentos excessivos, alta rápida dos aluguéis e vacância de escritórios em São Paulo e no Rio de Janeiro, para um nível abaixo do que era considerado normal pelo mercado.   Continuação...