Temores sobre preços dos alimentos levam UE a limitar biocombustíveis

quarta-feira, 11 de setembro de 2013 16:58 BRT
 

Por Claire Davenport

ESTRASBURGO, 11 Set (Reuters) - O Parlamento Europeu votou nesta quarta-feira a favor de limitar o uso de combustíveis feitos à base de safras alimentares, temendo que os biocombustíveis possam elevar os preços dos grãos ou causar danos ao clima, prejudicando ainda mais uma indústria que já viveu um boom.

A votação dos legisladores em Estrasburgo estabeleceu o limite para o uso de tais combustíveis em 6 por cento da demanda geral por combustível de transporte na União Europeia em 2020.

Embora ligeiramente maior do que o limite de 5 por cento proposto pela Comissão Europeia em outubro, a medida representa um golpe para produtores de biocombustíveis da UE, efetivamente impedindo-os de aumentar a produção atual.

Em 2009, o bloco estabeleceu uma meta para uma cota de 10 por cento de energias renováveis ​​nos transportes, com quase tudo estimado para vir dos chamados agrocombustíveis de primeira geração.

Biocombustíveis, como o etanol feito à base de cana-de-açúcar ou o biodiesel feito de canola, são misturados com os combustíveis convencionais e adicionado aos tanques dos veículos. Eles foram originalmente destinados a reduzir as emissões de carbono dos transportes e a dependência europeia das importações de petróleo.

Mas confrontado com afirmações de que a sede europeia por biocombustíveis estava elevando os preços mundiais de alimentos e as provas científicas de que alguns biocombustíveis são mais prejudiciais ao clima do que os combustíveis fósseis convencionais, a Comissão foi obrigada a repensar.

"Nós não podemos manter uma política que tem um efeito tão negativo sobre os países do sul e sobre os preços dos alimentos. Ao final do dia, o parlamento votou a favor de um limite aceitável", disse o liberal francês MEP Corrine Lepage, que conduziu o debate parlamentar, após a votação.

Com o consumo dos biocombustíveis de primeira geração já em cerca de 5 por cento do total da demanda europeia de transportes, e com quase o suficiente capacidade instalada de produção para atender uma meta de 10 por cento, um limite de 5 ou 6 por cento coloca freios em uma indústria que já foi vigorosa, e deve forçar algumas usinas a fechar.   Continuação...