12 de Setembro de 2013 / às 12:10 / 4 anos atrás

Vendas no varejo brasileiro surpreendem e sobem 1,9% em julho

Vendedores carregam geladeira comprada em loja da rede Casas Bahia, em São Paulo. As vendas no varejo brasileiro aceleraram com força em julho ao registrarem crescimento de 1,9 por cento na comparação com o mês anterior, atingindo o ritmo mais rápido desde janeiro de 2012. 18/02/2013.Nacho Doce

Por Rodrigo Viga Gaier e Camila Moreira

RIO DE JANEIRO/SÃO PAULO, 12 Set (Reuters) - As vendas no varejo brasileiro surpreenderam e aceleraram no ritmo mais rápido em um ano e meio em julho, impulsionadas por móveis e eletrodomésticos e pelo alívio da inflação para as compras em supermercados.

Na comparação com junho, as vendas varejistas cresceram 1,9 por cento, melhor resultado desde janeiro de 2012, quando foi registrada alta de 2,8 por cento, de acordo com dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira.

Em relação ao mesmo mês do ano anterior, as vendas do varejo cresceram 6,0 por cento.

Os resultados ficaram bem acima das expectativas, mas ainda não está claro se esse movimento poderá ser sustentado, diante de sinais de fraqueza do mercado de trabalho, renda real e confiança do consumidor.

A mediana das expectativas em pesquisa da Reuters apontava alta de 0,20 por cento na comparação com o mês anterior e de 3,15 por cento ante julho do ano passado.

"O que chamou a atenção é que foi generalizado. Mas não conseguimos ver esse movimento como algo sustentável. E se for assim, não alimenta expectativas de consumo forte puxando a economia nos próximos trimestres", avaliou a economista da Tendências Alessandra Ribeiro.

MÓVEIS E HIPERMERCADOS

Oito das dez atividades pesquisadas tiveram resultados positivos na comparação mensal. Os principais destaques foram Tecidos, vestuário e calçados (5,4 por cento); Outros artigos de uso pessoal e doméstico (3,9 por cento); Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (3,5 por cento); Móveis e eletrodomésticos (2,6 por cento) e Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (1,8 por cento).

Em relação ao mesmo mês de 2012, todas as atividades mostraram crescimento. O principal impacto no volume de vendas nesta base de comparação foi de Móveis e eletrodomésticos, com participação de 22,4 por cento na taxa global do varejo após aumento de 11 por cento no volume de vendas em relação a julho de 2012.

Esse setor vem sendo favorecido pelo programa do governo Minha Casa Melhor, uma linha de crédito de 18,7 bilhões de reais para financiar a compra de eletrodomésticos e móveis por beneficiários do programa habitacional Minha Casa, Minha Vida.

"Foram várias expansões, mas sobretudo no segmento de Móveis e eletrodomésticos. O programa Minha Casa Melhor injetou recursos no comércio e já repercute nas vendas", destacou à Reuters a economista do IBGE Aleciana Gusmão.

Por sua vez, o grupo Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo teve participação de 21,8 por cento, após alta de 2,6 por cento nas vendas em julho ante igual mês do ano anterior.

Neste caso, o consumo foi favorecido por alimentos, que registraram em julho a primeira deflação desde julho de 2011, ao recuarem 0,33 por cento.

O IBGE informou ainda que a receita nominal do varejo avançou 2,0 por cento na base mensal, maior variação desde junho de 2012 (2,4 por cento). Na comparação anual houve alta de 13,8 por cento.

Já no comércio varejista ampliado --que inclui o setor automotivo e material de construção-- as vendas registraram alta de 0,6 por cento em julho ante junho, segundo o IBGE. Na comparação anual, houve avanço de 3,7 por cento.

ECONOMIA

O resultado surpreendente das vendas no varejo de julho, apesar de o rendimento real da população ter recuado pela quinta vez seguida, afetando a confiança do consumidor, deve ajudar o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) do mesmo mês, que pode ser divulgado na sexta-feira.

Ainda assim ele não é suficiente para cravar que uma recuperação estaria a caminho.

"Inicialmente esperávamos um terceiro trimestre negativo, mas... dependendo dos dados de agosto pode ser que tenhamos um terceiro trimestre perto da estabilidade", disse a economista-chefe da Rosenberg & Associados Thais Marzola Zara.

Mas o avanço no varejo foi comemorado pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, como uma demonstração de que está ocorrendo uma recuperação do consumo no país.

"Mostra que a queda da inflação já está possibilitando que o consumidor tenha mais poder aquisitivo, o crédito também está melhorando um pouquinho, e isso se reflete nessas vendas a varejo, que foram muito boas", disse o ministro.

Reportagem adicional de Felipe Pontes, no Rio de Janeiro; Silvio Cascione, em São Paulo; e Nestor Rabello, em Brasília

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