ANÁLISE-Dificuldades do Brasil continuarão depois que turbulência global passar

quinta-feira, 12 de setembro de 2013 15:57 BRT
 

Por Bruno Federowski

SÃO PAULO, 12 Set (Reuters) - Mesmo quando os investidores tiverem digerido por completo a mudança da política monetária dos Estados Unidos e a tormenta que vem assombrando os mercados emergentes passar, o Brasil deve continuar em mares mais turbulentos do que alguns de seus pares em desenvolvimento.

Após meses de instabilidade, os mercados financeiros do país tiveram um início de mês tranquilo em setembro. Mas mesmo se o pior tiver ficado para trás, a avaliação de analistas é que os investidores continuarão a exigir rendimentos maiores de ativos brasileiros diante da deterioração dos fundamentos macroeconômicos.

"Na hora em que passar esse efeito de ajuste das carteiras, uma vez superado esse processo, não seria uma surpresa se houver um certo diferencial (entre Brasil e outros mercados emergentes) no spread de risco, ou mesmo no câmbio", disse a sócia da Gibraltar Consulting Zeina Latif.

A evidência mais gritante do mau humor internacional foi sentida no mercado doméstico de câmbio: entre maio e agosto, o dólar acumulou alta de quase 20 por cento em relação ao real. No entanto, a divisa norte-americana fechou a semana passada em queda e voltou a ser negociada abaixo de 2,30 reais, levando alguns a ver um arrefecimento no desconforto dos investidores.

Ainda assim, ativos brasileiros apontam para uma reavaliação do risco de se investir no país. O custo de se proteger contra um calote brasileiro, representado pelos CDS (Credit Default Swaps) de 5 anos, por exemplo, subiu 67 pontos básicos desde maio, para cerca de 175 pontos básicos.

Isso significa que o custo para proteger 10 milhões de dólares em dívida soberana brasileira, por um período de cinco anos, passou de 108 mil dólares ao ano no início de maio para um pouco mais que 175 mil dólares --aumento de 62 por cento. No dia 21 de agosto, este custo chegou a 216,8 mil dólares ao ano -- maior nível em mais de quatro anos.

Em comparação, o custo do mesmo CDS mexicano subiu apenas 37 pontos básicos no mesmo período, para 118 pontos básicos, enquanto o CDS chinês aumentou apenas 10 pontos, para 81 pontos básicos.

Já o rendimento (yield) do título soberano brasileiro Global 23, referência do país, subiu 70 por cento desde o início de maio para 4,5 por cento ao ano. Por sua vez, o yield do título de 10 anos do governo mexicano equivalente subiu cerca de 35 por cento, para 4,13 por cento.   Continuação...