Mercado de ações do Brasil está muito dependente de fluxos externos e da China--BofA

sexta-feira, 13 de setembro de 2013 11:41 BRT
 

Por Guillermo Parra-Bernal

SÃO PAULO, 13 Set (Reuters) - A perspectiva para as ações brasileiras permanece um desafio no curto prazo, já que um rali de 12 por cento desde julho tornou-se muito dependente de fluxos de investimentos externos e dados econômicos otimistas dos Estados Unidos e da China, dizem os estrategistas do Bank of America Merrill Lynch na sexta-feira.

Há pouco espaço para novos ganhos depois que as ações se recuperaram de seu nível mais baixo em cerca de quatro anos, desde meados de julho, escreveu uma equipe liderada pelo chefe estrategista de equity no Brasil, Felipe Hirai, em nota a clientes. Da mesma forma, não há catalisadores aparentes que possam desencadear uma recuperação sustentada dos preços ao longo do tempo, acrescentou.

As ações da maior economia da América Latina estão enfrentando ainda elevado ceticismo dos investidores sobre as perspectivas de crescimento econômico, a aceleração da inflação nos próximos meses e uma moeda mais fraca, Hirai disse, observando que nas últimas semanas o aumento dos fluxos de investimento tem reforçado ganhos no Ibovespa. Além disso, a volatilidade associada à eleição presidencial do próximo ano pode prejudicar ainda mais a confiança.

O Bank of America Merrill Lynch tem uma recomendação de "overweight" (desempenho acima da média do mercado) para ações brasileiras, mais baseado em uma chamada abordagem "bottom-up", em que os investidores escolhem ações seletivamente, do que em uma visão sobre o potencial de desempenho de índices de referência. "Continuamos a encontrar opções melhores para comprar no Brasil do que em qualquer outro país da América Latina", diz a nota.

Nos mercados emergentes, o mercado de ações do Brasil destaca-se como barato em relação a seus pares, acrescentaram Hirai e sua equipe. Ajustando para uma desagregação por setor, os preços das ações brasileiras estão 16,5 por cento mais baratos do que a média de referência dos mercados emergentes. De acordo com a equipe de Hirai, o desconto só perde para a China, de 27,5 por cento.

"Nós concordamos com a visão de que o crescimento vai deteriorar-se gradualmente, mas parece que o mercado precificou a deterioração muito rapidamente, e não o fato de que pode ser gradual", acrescentou a nota.

Em qualquer caso, os estrategistas notaram uma "discrepância" entre os pontos de vista dos investidores locais e estrangeiros, com os primeiros sendo vendedores de ações brasileiras, com 1,6 bilhão de reais (705 milhões de dólares) em saídas em agosto. Em contraste, os investidores estrangeiros se transformaram em compradores líquidos de ações locais, no mesmo período , com entradas líquidas de 2,1 bilhões de reais no mês passado.

"Acreditamos que depois da venda de ações e o real, os investidores estrangeiros poderão ser menos pessimistas com o Brasil, enquanto os locais ainda acreditam em deterioração dos fundamentos", disseram Hirai e sua equipe em nota.