ENTREVISTA-Cemig descarta responsabilidade da Taesa em blecaute no NE

terça-feira, 17 de setembro de 2013 11:55 BRT
 

Por Anna Flávia Rochas

SÃO PAULO, 17 Set (Reuters) - A transmissora de energia Taesa não teve responsabilidade no blecaute que atingiu a região Nordeste em agosto, após o desligamento de duas linhas de transmissão --uma delas da própria empresa-- afetadas por queimadas, segundo sua controladora Cemig.

"Nós cumprimos a nossa obrigação. Da nossa parte, tínhamos feito toda a manutenção necessária para evitar um problema... Posso assegurar que (o problema) não foi na Taesa", disse o diretor financeiro e de relações com investidores da Cemig, Luiz Fernando Rolla, à Reuters, na segunda-feira.

O blecaute que cortou por algumas horas cerca de 10.900 MW de carga de energia da região Nordeste no fim de agosto ocorreu após a saída de duas linhas de transmissão no Piauí, por queimadas próximas das instalações, afirmou o governo federal. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) disse no início de setembro que constatou "vegetação de porte inadequado" sob as linhas de transmissão atingidas pela queimada.

A limpeza das faixas de passagem sob as linhas de transmissão é de responsabilidade das concessionárias que operam os empreendimentos. As linhas desligadas pela queimada no evento são operadas por Taesa e Ienne, esta última controlada pelo grupo espanhol Isolux. Se constatada responsabilidade das empresas pela Aneel, elas podem ser multadas.

O executivo da Cemig disse que a Taesa colabora para investigações dos órgãos do governo sobre o blecaute fornecendo informações, mas não sabe apontar possíveis causas do blecaute, pois não possui todas as informações sobre o caso.

AQUISIÇÕES EM DISTRIBUIÇÃO

A Cemig quer crescer no segmento de distribuição para obter mais ganhos de escala, e ainda tem interesse em distribuidoras do grupo Rede Energia, holding cujo plano de recuperação judicial associado à venda para a Energisa foi aprovado semana passada.

"O interesse (no Grupo Rede) era relativo, em função de avaliações feitas no passado, e nós não participamos da competição (para compra do controle do grupo)... Se o vencedor tivesse interesse em vender parte (dos ativos), iríamos analisar. Mas não há nada de concreto, não", disse Rolla.   Continuação...