Mesmo com intervenções do BC, volatilidade do câmbio duplicou desde junho

quinta-feira, 19 de setembro de 2013 18:45 BRT
 

Por Bruno Federowski

SÃO PAULO, 19 Set (Reuters) - A intensidade das oscilações do dólar ante o real mais do que duplicou desde que integrantes do Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, começaram a sinalizar, no fim de maio, uma redução no estímulo monetário, e continuou em patamares elevados mesmo com o programa de intervenções diárias do Banco Central.

Desde o início de junho, as cotações do dólar oscilam em média 0,033 real por pregão, ante variação média diária de 0,015 real do início do ano até o fim de maio, quando a divisa norte-americana começou sua escalada em relação ao real.

Em setembro, a oscilação média diária do dólar em relação ao real está em 0,037 real, praticamente o mesmo número de agosto, de 0,038 real, pico do ano.

"Se o objetivo oficial do programa de intervenções do BC era conter volatilidade, foi um insucesso. Se o objetivo era derrubar o patamar do câmbio, foi um sucesso", afirmou o estrategista para América Latina do banco BNP Paribas, Diego Donadio.

O BC anunciou no fim de agosto que atuaria diariamente nos mercados de câmbio, potencialmente injetando 60 bilhões de dólares até o fim do ano. Autoridades da equipe econômica vêm afirmando repetidamente que as intervenções têm o objetivo de conter a volatilidade da divisa e não limitar a alta do dólar.

No entanto, a cotação da divisa sofreu grande impacto. Depois de acumular alta de 21,52 por cento ante o real entre o início de maio e o dia 22 agosto, quando o BC anunciou o programa, o dólar reverteu a trajetória e passou a cair. Desde a implementação do programa, a divisa norte-americana acumula queda de 9,48 por cento em relação à moeda brasileira. Neste período, a divisa norte-americana subiu em relação ao real em apenas seis dos 20 pregões.

Segundo analistas, a volatilidade elevada deve-se ao alto grau de incertezas em relação às perspectivas macroeconômicas globais e isso não deve melhorar no curto prazo. Haja visto a recente decisão do Fed, que manteve na quarta-feira o ritmo de seu estímulo de compra de títulos e surpreendeu os mercados, que vinham precificando há semanas uma redução no estímulo monetário.

"Até que haja efetivamente o ajuste nas posições dos investidores, é difícil prever que a volatilidade irá cair de maneira consistente", disse o chefe de pesquisa em mercados emergentes do Nomura Securities, Tony Volpon, em Nova York.   Continuação...

 
Brasileiro troca reais por dólares em casa de câmbio no centro do Rio de Janeiro. A intensidade das oscilações do dólar ante o real mais do que duplicou desde que integrantes do Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, começaram a sinalizar, no fim de maio, uma redução no estímulo monetário, e continuou em patamares elevados mesmo com o programa de intervenções diárias do Banco Central. 3/08/2003 REUTERS/Bruno Domingos