ENTREVISTA-InterCement foca Am. do Sul e África, vê receita 7% maior em 2013

sexta-feira, 20 de setembro de 2013 10:38 BRT
 

Por Alberto Alerigi Jr.

SÃO PAULO (Reuters) - A InterCement, uma das 10 maiores produtoras de cimento do mundo e integrante do grupo Camargo Corrêa, colocou a América do Sul e a África como foco de investimentos nos próximos anos, diante do crescimento mais acelerado nessas regiões, além de aversão do grupo ao difícil mercado asiático.

A empresa mantém planos de investimentos de 3,5 bilhões de reais no mundo de 2012 a 2016, com os quais espera acompanhar a evolução do mercado de cimento no Brasil, e ampliar capacidades em países como Argentina, Paraguai, Moçambique e Argélia, afirmou o presidente da companhia, José Édison, à Reuters.

Segundo ele, a expectativa para 2013 é elevar o faturamento da InterCement no mundo em 7 por cento, após receita líquida de cerca de 7 bilhões de reais em 2012. Já em termos de volume, a previsão é de vendas de 28 milhões de toneladas, após 27 milhões em 2012.

A empresa passou a atuar em oito países após a integração de parte dos ativos da portuguesa Cimpor, em 2012. Agora, a companhia quer capturar a partir dos próximos dois a três anos ganhos de sinergias anuais de 300 milhões de reais, disse.

No Brasil, mercado com vendas anuais de cerca de 70 milhões de toneladas e onde é vice-líder entre as produtoras de cimento, atrás da Votorantim, a empresa prevê abrir três fábricas novas e expandir a unidade de Goiás até 2016. Juntas, elas devem elevar sua capacidade de produção em mais de um terço, ante atuais 14 milhões de toneladas.

"O Brasil vai muito bem, obrigado", disse o presidente da InterCement, minimizando preocupações de analistas sobre desaceleração da economia e atrasos nas concessões de infraestrutura. A companhia detém cerca de 18,5 por cento de participação no mercado brasileiro.

"Cinquenta e cinco por cento do cimento do Brasil é vendido em saco para consumidores construírem suas casas, não vai para infraestrutura (...) Nossa avaliação é que o mercado continuará crescendo de 4 a 6 por cento ao ano, independente do cenário", disse, citando a expansão da renda das famílias e estímulos ao setor imobiliário, como o programa Minha Casa Minha Vida.

Ele afirmou que a meta da InterCement é atingir participação de cerca de 20 por cento no Brasil, o que poderá exigir abertura de fábrica em Tocantins, onde o setor agrícola está exigindo investimentos em infraestrutura. "No Brasil, se o mercado crescer 4 por cento ao ano, requer inauguração de três fábricas por ano e eu tenho que ocupar parte dessas três."   Continuação...