September 23, 2013 / 6:34 PM / 4 years ago

Fed elevará pressão agora, mas poderá reduzir ainda neste ano--Dudley

4 Min, DE LEITURA

Por Jonathan Spicer e Luciana Lopez

NOVA YORK, 23 Set (Reuters) - O Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, precisa combater as ameaças à recuperação da maior economia do mundo, embora ainda planeje reduzir o estímulo monetário até o fim do ano, disse o presidente do Fed de Nova York, William Dudley.

Em firme defesa da surpreendente decisão do Fed na semana passada de manter o ritmo do programa de compra de títulos, Dudley alertou que incertezas fiscais "pairam imensamente" enquanto o Congresso prepara-se para elaborar acordo para evitar a paralisação do governo e elevar o limite de endividamento do país.

Em outro evento em Nova York, o presidente do Fed de Atlanta, Dennis Lockhart, alertou também que os EUA correm o risco de perder o "apelo econômico" caso parlamentares não trabalhem para reverter declínios na produtividade e na geração de novos empregos.

Na semana passada, o Fed surpreendeu investidores ao não reduzir suas compras de ativos do atual ritmo de 85 bilhões de dólares ao mês, desencadeando um rali acionário global.

Mas Dudley, aliado próximo do chairman do Fed, Ben Bernanke, destacou obstáculos provenientes do forte aumento recentes nos juros de longo prazo, impostos mais altos e menores gastos públicos adotados neste ano, além de crescentes dúvidas sobre o teto da dívida e financiamento do governo.

"Precisamos combater esses obstáculos para melhor atingir nossos objetivos", disse Dudley, que tem adotado consistentemente postura mais expansionista e tem voto permanente no comitê de política monetária do banco central, em evento na Fordham University.

Ações e bônus dispararam e o dólar desabou na semana passada após a decisão do Fed.

Muitos economistas questionam se Bernanke descartou o plano articulado em junho, no qual o Fed mirava reduzir as compras de títulos ainda neste ano e interromper o programa de "quantitative easing" até meados de 2014.

Mas em mais declarações surpreendentes, Dudley disse nesta segunda-feira que esse plano está "bastante intacto". Ele destacou que, em junho, Bernanke não especificou que a primeira redução no QE viria em setembro e que dependeria de dados econômicos.

Pelo menos, Dudley pareceu pronto para aguardar até que democratas e republicanos no Congresso resolvam questões orçamentárias que ameaçam paralisar o governo em 1º de outubro. Os políticos começaram a debater o tema nesta segunda-feira.

Lockhart, um centrista que não tem poder de voto no comitê do Fed neste ano, disse que o mercado de trabalho ainda não se recuperou.

"Tivemos muito progresso, mas há caminho pela frente até que o Fed possa afirmar que o objetivo de pleno emprego foi atingido", disse ele, referindo-se ao mandato duplo do banco central, que também inclui estabilidade de preços.

Lockhart não comentou especificamente sobre a decisão da semana passada. Mas disse que a política monetária pode ajudar o dinamismo econômico ao promover taxas de juros favoráveis, "num contexto de inflação baixa e estável".

Mas ele deixou claro que o poder do banco central é limitado e que caberá a outras autoridades públicas elaborar novas maneiras de melhorar o clima econômico.

"Os EUA estão perdendo seu apelo econômico?", perguntou Lockhart. "Há algumas evidências que apoiam o afirmativo".

Reportagem adicional de Alister Bull, em Washington

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