Governo exigirá venda da TIM no Brasil se Telefónica tiver 100% da Telco

terça-feira, 24 de setembro de 2013 18:20 BRT
 

Por Leonardo Goy

BRASÍLIA, 24 Set (Reuters) - Os reguladores brasileiros não permitirão que a Telefónica seja a controladora da TIM Participações e da Vivo, e deverão exigir a venda de uma das operadoras para alguma empresa que ainda não atue no país, disse o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, nesta terça-feira.

O grupo espanhol Telefónica, dona da Vivo, anunciou nesta terça-feira que está aumentando a sua participação na Telecom Italia, que controla a TIM, num negócio em que poderá levar ao controle da empresa.

"Claramente o que temos de forma objetiva é que uma empresa não pode controlar a outra", disse o ministro. "Não pode um grupo controlar duas empresas desse porte, tem impedimento na legislação." disse Bernardo. A Vivo e a TIM são líder e vice-líder do mercado brasileiro, respectivamente.

O ministro disse que as demais operadoras que atuam no país, como a Oi e Claro, também não poderiam comprar a TIM ou a Vivo, caso haja mesmo a exigência de venda de uma das operadoras.

O ministro ponderou, contudo, que o assunto ainda será analisado pela Anatel e pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

Na segunda-feira à noite, uma fonte da Anatel já havia dito à Reuters que a legislação brasileira não permite que um mesmo grupo detenha duas outorgas sobrepostas na telefonia móvel, o que levaria à devolução das licenças.

Nesta terça-feira, mais cedo, uma fonte da Anatel disse à Reuters que a agência já fez uma avaliação informal do assunto e concluiu que, mantidas as condições do acordo, que prevê a Telefónica assumindo em 2014 o controle da Telco, holding que controla a Telecom Italia, a venda da TIM Participações no Brasil seria exigida.

A possibilidade de venda da TIM levou as ações da operadora a fecharem em alta de quase 10 por cento no pregão desta terça-feira na Bovespa.

Outra alternativa seria a transferência da base de dados da TIM para a Vivo, mas isso também seria barrado pela Anatel, que entende que a qualidade do serviço ficaria comprometida, já que a base das duas operadoras seriam afuniladas na rede de apenas uma delas.

"Pelo lado regulatório, é praticamente impossível manter a TIM nestes termos", disse a fonte da Anatel, sob condição de anonimato.