Telefónica elevará fatia na Telecom Italia; TIM pode ser vendida

quarta-feira, 25 de setembro de 2013 14:25 BRT
 

MILÃO/RIO DE JANEIRO, 24 Set (Reuters) - O grupo espanhol Telefónica firmou nesta terça-feira acordo para gradualmente assegurar o controle na Telecom Italia, em uma operação que deve ter impacto no mercado brasileiro, já que no país as empresas são controladoras das operadoras de celular Vivo e TIM, respectivamente.

O acordo de 860 milhões de euros (1,2 bilhão de dólares) em dinheiro e ações firmado nesta terça-feira permitirá à Telefónica aumentar sua fatia na Telco, holding que controla cerca de 22 por cento da Telecom Italia, e que outros investidores eventualmente saiam do negócio.

A operação ainda tem que receber aprovação de reguladores brasileiros, que poderão forçar a Telecom Italia a vender a TIM Participações, se a Telefónica adquirir a totalidade da Telco, disse uma fonte da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), à Reuters.

O ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, confirmou que a TIM terá que ser vendida se a Telefónica de fato assumir o controle da Telecom Italia, pois o grupo espanhol não poderá ter o controle de duas operadoras concorrentes no Brasil. O ministro disse ainda que a alienação não poderá ser para outros grupos que operam no país --Oi, Claro ou Nextel.

A possibilidade de venda da TIM levou a ação da empresa a disparar quase 10 por cento no pregão desta terça-feira na bolsa paulista, contra queda de 0,31 por cento do Ibovespa.

Além de resolver o embate antitruste e regulatório no Brasil, a venda da TIM no Brasil é vista como uma solução para o alto endividamento da Telecom Italia, segundo analistas.

"O maior problema nessa venda é que, no cenário atual das empresas de telecomunicações, não encontramos muitos 'players' dispostos a entrar no mercado brasileiro", disse a equipe de análise da corretora Ativa.

O analista Allan Nichols, da MorningStar Equity Research, avalia que uma solução seria a venda da TIM para uma empresa como Vodafone ou DirectTV, mas ele também faz ressalvas sobre o potencial interesse no ativo brasileiro.

"Apesar de a Vodafone ter dinheiro suficiente, após vender sua fatia na Verizon Wireless, a empresa nunca operou na América Latina e não achamos que queiram entrar nesse mercado", escreveu Nichols, em relatório. "Já a DirectTV tem algumas operações no Brasil que iriam se complementar com as da TIM, mas também não achamos que a empresa gostaria de se comprometer dessa forma."   Continuação...