Telefónica enfrenta oposição a planos envolvendo Telecom Italia

quarta-feira, 25 de setembro de 2013 20:42 BRT
 

ROMA/MILÃO, 25 Set (Reuters) - O presidente do conselho da Telecom Italia, os diretores independentes da companhia e políticos italianos se manifestaram nesta quarta-feira contra a possibilidade de planos da Telefónica envolverem a venda de alguns dos ativos mais valiosos da companhia assim que o grupo espanhol assumir o controle da empresa.

As críticas vieram um dia depois da Telefónica anunciar acordo com três investidores da Telecom Italia para gradualmente assumir o controle sobre a rival e seus lucrativos ativos na América do Sul, sem ter que fazer uma oferta ao restante dos acionistas da companhia.

A insatisfação aponta para uma turbulenta reunião do conselho da Telecom Italia, que ocorrerá em 3 de outubro, quando diferentes facções interessadas na empresa vão debater como a Telecom Italia deverá reduzir sua dívida de quase 29 bilhões de euros e ser reestruturada.

O acordo poderá também colocar pressão sobre o governo italiano para agir, depois que um representante do Ministério da Economia, Antonio Catricala, excluiu na segunda-feira uma intervenção na empresa para manter o ex-monopólio estatal sob controle italiano.

O presidente do conselho da Telecom Italia, Franco Bernabè, que comanda a empresa desde 2008, afirmou nesta quarta-feira que a melhor opção para a operadora é levantar dinheiro junto a investidores para evitar um custoso corte na nota de crédito da companhia para "junk". Vendas de ativos podem demorar muito tempo, disse ele.

"Há muita liquidez, há condições favoráveis para um aumento de capital", afirmou Bernabè durante audiência no Senado italiano. Ele acrescentou que tal movimento pode ser aberto a novos e atuais investidores, sem especificar o montante necessário.

Um representante sindical disse à Reuters que Bernabè está preparando um ambicioso plano de investimento na Itália, que, se aprovado, poderá exigir injeção de capital na Telecom Italia. Uma fonte com conhecimento do assunto disse que um montante realista para a captação de recursos se situa entre 3 bilhões e 5 bilhões de euros.

No entanto, com a Telefónica sobrecarregada com uma dívida de cerca de 50 bilhões de euros e com sua divisão alemã envolvida em uma custosa aquisição, a empresa é vista como mais inclinada a apoiar a venda de ativos da Telecom Italia em vez da injeção de mais dinheiro na empresa.

CONTROVÉRSIA   Continuação...