25 de Setembro de 2013 / às 16:56 / 4 anos atrás

Câmbio desvalorizado leva CNI a elevar projeção de expansão do PIB para 2,4% em 2013

BRASÍLIA, 25 Set (Reuters) - O efeito da desvalorização cambial no aumento da competitividade das empresas levou a Confederação Nacional da Indústria (CNI) a melhorar suas projeções para o crescimento da economia e expansão do parque fabril, mas não poupou as expectativas para o comércio exterior e as contas externas, que foram drasticamente pioradas.

No documento Informe Conjuntural apresentado nesta quarta-feira, a entidade elevou para 2,4 por cento a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil, ante 2 por cento na estimativa anterior, feita no início de julho.

A despeito dessa melhora, a CNI ressalta que esse ainda é um baixo nível de expansão.

"Não é um ritmo tão significativo, 2,4 por cento é um crescimento insatisfatório", avaliou o gerente-executivo da CNI, Flávio Castelo Branco.

A perspectiva é que a economia registre recuo de cerca de 0,3 por cento no terceiro trimestre e aumento entre 0,6 por cento e 0,8 por cento no quarto trimestre.

Diante da mudança do patamar cambial com a valorização da moeda norte-americana frente ao real, a CNI calcula taxa média de câmbio em 2013 de 2,14 reais por dólar, superior à taxa de 2,10 reais estimada anteriormente.

"A mudança no patamar de câmbio gera uma média bem mais favorável do ponto de vista de competitividade do que a taxa que prevaleceu em 2011 e em parte de 2012", disse Castelo Branco.

Para o setor industrial, a estimativa de expansão foi melhorada para 1,4 por cento em 2013, ante 1 por cento previsto anteriormente. Dentre os setores, a CNI vê uma expansão de 2,6 por cento para a indústria da transformação, alta de 2 por cento para a construção civil e recuo de 4 por cento no desempenho da indústria extrativa.

No front interno, a CNI salienta que a política de juros age sozinha no controle da inflação, com efeitos negativos sobre consumo, produção e investimento e maior dificuldade da economia em engatar um ritmo maior de expansão.

Nesse cenário, a entidade calcula que a taxa Selic fechará 2013 em 9,75 por cento ao ano, ante estimativa anterior de 9,5 por cento, contando com mais duas elevações no juro básico até dezembro.

A estimativa para a inflação foi reduzida para 5,8 por cento frente à projeção anterior de 6 por cento, mas ainda bem acima da meta do governo, de 4,5 por cento com 2 pontos percentuais de tolerância.

COMÉRCIO EXTERNO FRACO

No documento apresentado nesta quarta-feira, a entidade destaca também o cenário externo marcado por incertezas sobre o comportamento da economia norte-americana, o baixo crescimento das economias avançadas e o nível de expansão da China, que afetam o comércio exterior brasileiro com efeitos deletérios sobre o ritmo de expansão e as contas externas.

Devido a isso, a indicação para o saldo comercial em 2013 foi drasticamente reduzida para um superávit de 1,7 bilhão de dólares ante a visão anterior de um saldo positivo de 9,2 bilhões de dólares. A previsão para as exportações baixou para 240,5 bilhões de dólares, bem menor que os 249,3 bilhões de dólares indicados anteriormente.

O saldo em conta corrente também foi piorado para um déficit de 79,6 bilhões de dólares contra previsão anterior de saldo negativo de 74,2 bilhões de dólares.

Nas contas públicas, a previsão é de um superávit primário de 1,70 por cento do PIB ante 1,5 por cento projetado anteriormente. A meta de superávit primário para o setor público consolidado (governo central, Estados e municípios) é de 2,3 por cento do PIB.

A revisão feita pela CNI para as projeções da economia brasileira em 2013 ocorre após o Ministério da Fazenda ter reduzido para 2,5 por cento na última sexta-feira sua previsão de crescimento para este ano ante a estimativa anterior de 3 por cento.

Na última pesquisa Focus do Banco Central divulgada na segunda-feira os analistas consultados mantiveram em 2,4 por cento a previsão de alta do PIB para este ano, mas elevaram para 5,82 por cento ante 5,81 por cento a previsão para inflação.

Reportagem de Luciana Otoni; Edição de Alexandre Caverni

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