Cameron quer mudança radical de laços com UE e pode deixar acordo de direitos humanos

segunda-feira, 30 de setembro de 2013 08:10 BRT
 

LONDRES, 29 Set (Reuters) - O primeiro-ministro britânico, David Cameron, intensificou seu discurso anti-União Europeia neste domingo ao exigir uma mudança radical dos laços do Reino Unido com o bloco e indicou a possibilidade de sair do principal tratado de direitos humanos do continente.

O tema Europa é dos grande obstáculos para a reeleição de Cameron em 2015. Ele está sob pressão de legisladores conservadores para conter a perda de apoio ao UKIP (sigla em inglês para Partido da Independência do Reino Unido), que defende uma saída imediata da UE.

Cameron disse que a UE terá que renegociar os seus tratados de fundação, uma ideia rejeitada por alguns membros, pois é tida como algo muito complicado e demorado.

"O meu objetivo é renegociar a nossa relação com a Europa, muito radicalmente", afirmou o primeiro-ministro à BBC no início da conferência do seu partido, o Partido Conservador, em Manchester, no norte da Inglaterra. "Precisamos de uma renegociação de tratado. Estou convencido disso".

Em janeiro, Cameron declarou que iria negociar a relação do Reino Unido com a UE e depois chamar um referendo no fim de 2017 sobre a permanência no bloco, desde que seja o primeiro-ministro vitorioso nas eleições de 2015.

A promessa foi vista como uma tentativa de agradar conservadores e de enfrentar o desafio representado pelo UKIP.

Cameron disse ainda que vai considerar abolir o Ato dos Direitos Humanos, que desde 2000 tornou a Convenção Europeia sobre Direitos Humanos obrigatória nos tribunais britânicos.

Embora a convenção não faça parte do sistema da UE, ela é constantemente trazida ao debate por céticos quanto à eficiência do bloco, que a usam como um exemplo da interferência externa na soberania da Grã-Bretanha.

(Por Peter Griffiths)

 
David Cameron, primeiro-minstro britânico, durante o primeiro dia da conferência anual do Partido Conservador em Manchester, Inglaterra. 29/09/2013 REUTERS/Toby Melville