BC vê crescimento do PIB do Brasil menor em 2013 e inflação ainda alta

segunda-feira, 30 de setembro de 2013 20:06 BRT
 

Por Patrícia Duarte e Luciana Otoni

SÃO PAULO/BRASÍLIA, 30 Set (Reuters) - O Banco Central vê a economia brasileira crescendo menos em 2013 e não deve acelerar o ritmo até pelo menos meados de 2014, ao mesmo tempo em que a inflação deve ser um pouco menor do que esperado neste ano, mas ainda em patamares elevados.

Para 2014, no entanto, a projeção é de inflação mais elevada, ainda difícil de ser domada, cenário que levou o diretor de Política Econômica do BC, Carlos Hamilton, a reforçar o discurso de combate à inflação, dizendo a autoridade monetária continua desconfortável com o atual nível de variação de preços.

"Acredito que há bastante trabalho a ser feito pela política monetária em termos de combate à inflação", disse ele ao comentar o relatório. Seus comentários contribuíram para elevar as taxas dos contratos futuros de juros.

Segundo o Relatório Trimestral de Inflação do BC divulgado nesta segunda-feira, a estimativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro deste ano foi reduzida para 2,5 por cento, ante 2,7 por cento previstos até então. No segundo trimestre de 2014, o PIB deverá ter expansão de 2,5 por cento em quatro trimestres.

Apesar de ver menor ritmo da atividade, a autoridade monetária destacou que ele acelerou sobre 2012 e que o "cenário central contempla ritmo de atividade doméstica mais intenso neste e no próximo ano, ou seja, uma trajetória de crescimento, no horizonte relevante para a política monetária, mais alinhada com o crescimento potencial".

Para boa parte do mercado, para segurar a inflação o BC deve manter o atual ritmo de aperto monetário em outubro, quando o Comitê de Política Monetária (Copom) se reúne novamente, e elevar novamente a Selic em 0,5 ponto percentual, a 9,5 por cento ao ano.

Para o economista-chefe do banco Fator, José Francisco Gonçalves, o documento do BC não indica uma mudança no ritmo de elevação da Selic agora, apesar de destacar os riscos de nova elevação nos preços dos combustíveis.

O BC, ao ver atividade mais fraca neste ano, piorou quase todas suas contas que compõem o PIB. A estimativa de alta para a indústria passou para 1,1 por cento, ante 1,2 por cento, enquanto que para o setor de serviços baixou para 2,3 por cento, ante 2,6 por cento.   Continuação...