30 de Setembro de 2013 / às 16:14 / 4 anos atrás

Administradoras de shoppings inovam para tentar conter desaceleração

Por Juliana Schincariol

RIO DE JANEIRO, 30 Set (Reuters) - Enfrentando os efeitos do menor crescimento econômico do país e a concorrência de centros comerciais menores e das vendas pela Internet, as administradoras de shopping centers estão ampliando empreendimentos atuais e estreando em regiões menos exploradas para manter o ritmo de crescimento dos últimos anos.

Uma das frentes em que as administradoras estão apostando é a otimização da atual rede, com expansão dos shoppings já existentes. Mais da metade do crescimento da área bruta locável (ABL) vem das expansões.

"As expansões têm menor risco e maior retorno", disse o superintendente de relações com investidores da administradora de shoppings Aliansce, Eduardo Prado. "Em todas as 11 expansões nos próximos dois anos, a gente não tem compra de terreno, o que reduz o investimento."

Outra frente é atração de novas marcas, especialmente as estrangeiras. Nomes como a rede de cosméticos Sephora e a varejista britânica Topshop já estão em alguns shoppings.

"A capacidade dos shoppings de conseguir novas marcas no mix de lojas deve ser uma vantagem significativa daqui para a frente", disse em relatório a analista do Credit Suisse, Nicole Hirakawa.

"A gente acredita que um conjunto de novidades e marcas fortes fazem parte da vida do shopping, do crescimento orgânico dele que a gente busca", disse à Reuters o diretor de desenvolvimento da maior administradora de shoppings do Brasil, BR Malls, Luiz Quinta.

O setor também vem se diversificando geograficamente, à medida que os mercados do Sul e Sudeste do país, especialmente nas grandes cidades, começam a ficar saturados.

Os mais de 450 shoppings brasileiros estão localizados em apenas 160 dos 5.500 municípios do país, mostrando que há espaço para novas fronteiras, disse Armando d'Almeida Neto, diretor vice-presidente e de relações com investidores da Multiplan, uma das maiores do país.

Segundo ele, o Brasil possui 68 metros quadrados de área bruta locável (ABL) por mil habitantes. No México, este número chega a 110, na França, a 220, e nos Estados Unidos supera os 2 mil metros quadrados por cada mil habitantes.

"Estamos longe de ser uma indústria consolidada (...). Vamos continuar crescendo", disse Neto.

Segundo a Associação Brasileira de Shoppings Centers (Abrasce), o Brasil terá 42 novos centros em 2013, ante 27 em 2012. Metade das inaugurações serão em cidades do interior.

Para 2014, são esperados mais 39 shoppings, sendo 18 fora das capitais. Do total, 20 serão nas regiões Norte e Nordeste. Boa Vista (RO) será a última capital a receber um shopping.

"O cenário competitivo é muito melhor na região Norte, tendo cidades com baixa penetração", disse Máximo Lima, fundador da Hemisfério Sul Investimentos (HSI), responsável pelo projeto.

FATURAMENTO

As medidas vêm a reboque de crescimento menor do que o esperado pelo setor, refletindo a baixa atividade econômica e o os reflexos sobre o poder de compra das famílias. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a renda do trabalhador caiu por cinco meses seguidos até julho, voltando a crescer em agosto.

Com isso, no acumulado do ano até julho, o crescimento das vendas do setor foi de 8 por cento na comparação com o mesmo período de 2012, ante previsão inicial da Abrasce de alta de 12, número já revisado recentemente para 10 por cento. Em 2012, as vendas cresceram 10,65 por cento, abaixo da previsão de expansão de 12 por cento.

Além da fraqueza da economia, o setor enfrenta a concorrência do comércio eletrônico, cujas vendas no país subiram 24 por cento ante o mesmo período do ano passado, segundo dados da E-bit.

E ainda há a proliferação de centro comerciais de menor porte. O Pão de Açúcar anunciou recentemente que está investindo cerca de 500 milhões de dólares na construção de mini-shoppings em torno de seus supermercados.

Mesmo assim, representantes do setor de shoppings tentam manter o otimismo. "Há uma demanda maior da nova classe média, mais mulheres trabalhando e comendo fora de casa e demandando serviços", disse a superintendente da Abrasce, Adriana Colloca.

Edição Aluisio Alves e Raquel Stenzel

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