Pela 1ª vez, Brasil tem resultado primário negativo em agosto--BC

segunda-feira, 30 de setembro de 2013 17:56 BRT
 

BRASÍLIA, 30 Set (Reuters) - O setor público brasileiro registrou déficit primário de 432 milhões de reais no mês passado, primeiro resultado negativo para agosto desde o início da série em dezembro de 2001, afetado pelos maiores gastos com a Previdência, informou o Banco Central nesta segunda-feira.

O resultado foi bem pior que o esperado por analistas consultados pela Reuters, cuja mediana apontava para saldo positivo de 1,85 bilhão de reais. Em julho, o país havia registrado superávit primário de 2,287 bilhões de reais.

Em 12 meses até agosto, a economia feita para pagamento de juros foi equivalente a 1,82 por cento do Produto Interno Bruto (PIB), longe da meta do governo neste ano de 2,3 por cento.

O BC informou ainda que o déficit nominal --receitas menos despesas, incluindo pagamento de juros-- ficou em 22,303 bilhões de reais no mês passado, enquanto a dívida pública representou 33,8 por cento do PIB.

O déficit primário em agosto foi gerado pelo resultado negativo de 55 milhões de reais do governo central, formado pelo governo federal, BC e Previdência Social. Em agosto, as contas públicas foram afetadas pelo início do pagamento do 13º salário a aposentados e pensionistas, aumentando o rombo da Previdência que, segundo o BC, ficou em 5,733 bilhões de reais no mês passado.

Ainda segundo o BC, os Estados e municípios tiveram déficit de 174 milhões de reais no mês passado, enquanto que as empresas estatais tiveram saldo negativo 203 milhões de reais.

No acumulado do ano, o superávit primário soma 54,013 bilhões de reais, sendo 37,441 bilhões de reais feitos pelo governo central e 16,774 bilhões de reais economizados por Estados e municípios.

A meta cheia de superávit primário para este ano era de 155,9 bilhões de reais, ou cerca de 3,1 por cento do PIB, mas o governo já reduziu a meta a 2,3 por cento.

Os resultados fracos até agosto vieram também com o baixo dinamismo da receita, afetada pelo mau desempenho da atividade econômica do país, e altos gastos com custeio.

(Por Luciana Otoni e Alonso Soto)