Dólar cai 1,8% ante real e tem 1ª queda mensal desde abril

terça-feira, 1 de outubro de 2013 07:08 BRT
 

Por Bruno Federowski

SÃO PAULO, 30 Set (Reuters) - Após quatro meses de alta ante o real, o dólar teve em setembro a maior queda mensal em quase dois anos, diante do alívio no cenário internacional e do programa de intervenção cambial do Banco Central. Apenas nesta sessão, a moeda norte-americana despencou quase 2 por cento devido à entrada de divisas e expectativas de um aperto monetário mais agressivo no Brasil.

Preocupações sobre um possível fechamento do governo norte-americano a partir desta terça-feira também deixaram investidores cautelosos e derrubaram o dólar ante moedas consideradas mais seguras, como o iene japonês e o euro.

O impacto em relação à maioria das moedas emergentes foi mais modesto, devido ao aumento da aversão global por risco, mas alguns analistas disseram que uma queda abrupta nos gastos do governo norte-americano poderia forçar o Federal Reserve a adiar ainda mais a retirada de estímulos monetários, beneficiando moedas emergentes também.

O dólar perdeu 1,83 por cento, para 2,2163 reais na venda, neste pregão. Em setembro, a divisa norte-americana teve queda de 7,08 por cento, maior recuo mensal desde outubro de 2011, quando acumulou perdas de 9,51 por cento.

"O Federal Reserve realmente abriu uma janela para o dólar (se enfraquecer) ao manter o estímulo. Agora, não dá pra dizer muito bem onde (a moeda dos EUA) vai estabilizar, já que temos visto muita volatilidade", disse o operador de um banco internacional, ressaltando que a pressão de alta vista nos últimos meses "definitivamente" perdeu força.

Analistas ressaltaram que a trajetória do dólar deve depender da postura do Banco Central brasileiro face aos novos patamares da divisa. Na última vez em que o dólar foi negociado em torno de 2,20 reais, a autoridade monetária deu sinais de que poderia reduzir a intensidade do seu programa diário de intervenção no mercado de câmbio.

"O mercado exagerou na queda e parou quando se aproximou de 2,22 (reais)", afirmou um operador de câmbio de banco nacional.

O temor do BC é de que um dólar muito baixo reduza a competitividade da indústria brasileira. Por outro lado, uma alta exagerada da moeda norte-americana pode trazer ainda mais pressões inflacionárias devido ao repasse do câmbio aos preços de produtos importados. Preocupações com a inflação explicitadas pela autoridade monetária nesta segunda-feira aumentaram as apostas do mercado em um ciclo mais agressivo de alta de juros.   Continuação...