1 de Outubro de 2013 / às 00:24 / 4 anos atrás

Ibovespa sobe 4,65% em setembro e tem melhor trimestre desde começo de 2012

Por Priscila Jordão

SÃO PAULO, 30 Set (Reuters) - A bolsa brasileira teve em setembro a terceira alta mensal consecutiva e encerrou o trimestre com seu melhor desempenho desde os três primeiros meses de 2012, dando continuidade a um movimento de recomposição de preços desde julho.

Contudo, o cenário internacional turvo e a falta de catalisadores no cenário interno levavam especialistas a prever um comportamento lateral da Bovespa até o fim do ano.

Numa sessão de perdas dos mercados globais, o Ibovespa recuou 2,61 por cento nesta sessão, a 52.338 pontos. Ainda assim, teve valorização de 4,65 por cento no mês, estendendo o ganho do trimestre para 10,29 por cento. No ano, a queda ainda é de 14,13 por cento.

O giro financeiro da sessão foi de 7,19 bilhões de reais.

O desempenho positivo em setembro foi puxado na primeira semana do mês, quando o índice teve sua maior alta semanal em quase dois anos, graças a dados robustos da China e às ações da Petrobras, impulsionadas por rumores sobre reajuste no preço dos combustíveis.

A decisão do banco central norte-americano de manter os estímulos monetários, que tem sustentado os fluxos para ativos de riscos, também ajudou a acalmar os ânimos de investidores.

O mês foi marcado por um forte fluxo de investidores estrangeiros no mercado a vista, que chegou a 4,9 bilhões de reais em 19 de setembro, segundo dados da bolsa paulista.

Na avaliação de especialistas, porém, o avanço do Ibovespa no trimestre foi muito mais resultado de uma recomposição de preços do que uma mudança de tendência, depois de o índice beirar os 45 mil pontos no início de julho.

"Todos os fatores que vinham pesando na bolsa continuam presentes, como PIB baixo e inflação próxima de 6 por cento (em 12 meses)", afirmou o diretor técnico da Apogeo Investimentos, Paulo Bittencourt. "Eu esperaria um movimento muito mais lateral até o fim do ano", completou.

Para o estrategista-chefe do Crédit Agricole, Vladimir Caramaschi, já não é possível afirmar que o mercado brasileiro está barato, e as expectativas para o desempenho da economia do país para o terceiro triimestre são pouco animadoras.

"Mesmo se tivermos um resultado melhor que o esperado, é difícil ver uma revisão nas expectativas sobre o potencial de crescimento do país, algo que joga contra a ideia de um rali na bolsa", afirmou Caramaschi.

Perspectivas turvas para o cenário internacional adicionavam um viés negativo para o mercado, em um momento em que impasses políticos nos Estados Unidos têm chamado atenção.

Até a meia noite desta segunda-feira, legisladores norte-americanos precisam chegar a um acordo para seguir financiando órgãos e programas governamentais a partir de 1o de outubro, e evitar a primeira paralisação parcial do governo em 17 anos. O país precisa aprovar ainda um acordo para elevar o teto de seu endividamento até 17 de outubro, a tempo de evitar um calote.

Apesar de o banco central dos EUA ter decidido adiar a redução de seu programa de estímulos, a maior parte do mercado segue convencida de que a autoridade monetária deve começar a diminuir suas compras de títulos em breve, outro fator que trazia cautela a investidores.

Para a analista Daniela Martins, da Concórdia, porém, alguns resultados de empresas brasileiras no terceiro trimestre, podem motivar altas localizadas na bolsa no curto prazo.

"O setor de consumo, por exemplo, subiu bastante neste mês depois de dados fortes em julho, e as exportadoras se aproveitaram de um repique no câmbio", afirmou.

OGX DESPENCA

Apesar de ter seguido a trajetória das principais bolsas globais nesta segunda, o Ibovespa encerrou com queda mais expressiva que outros índices, pressionado principalmente pelos papéis da OGX.

A ação da petroleira bateu nova mínima histórica em meio a rumores de que pedirá recuperação judicial em breve.

Por sua vez, ações de construtoras como a Rossi Residencial e Cyrela Realty, que também encerraram em baixa, diminuíram a queda perto do fim da sessão. O governo decidiu nesta tarde elevar o teto do valor do imóvel para compra com uso do FGTS, atendendo a um pleito feito pelo setor de construção civil há alguns anos.

"Talvez a notícia tenha um impacto de curtíssimo prazo, mas não acredito que vá puxar o setor, até porque as empresas imobiliárias estão mais endividadas e mais preocupadas em fazer entregas do que lançamentos", disse o analista da corretora Planner Mario Roberto Mariante.

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