OGX diz que não pagará US$45 mi de parcela de juros de bônus

terça-feira, 1 de outubro de 2013 18:25 BRT
 

SÃO PAULO, 1 Out (Reuters) - A petroleira OGX, do empresário Eike Batista, optou por não pagar juros sobre bônus no exterior que venceriam nesta terça-feira, no primeiro passo do que pode vir a ser o maior calote da história por uma empresa latino-americana.

"A companhia optou pelo não pagamento das parcelas referentes aos juros remuneratórios, no valor aproximado de 45 milhões de dólares, decorrentes das Senior Notes emitidas pela OGX Austria, controlada da companhia, as quais venceriam na data de hoje", informou a petroleira em fato relevante.

O não pagamento dos juros referentes à dívida de 1,1 bilhão de dólares em bônus com vencimento em 2022 já era amplamente esperado, diante da crítica situação de caixa da petroleira.

A agência de classificação de crédito Fitch rebaixou, no mês passado, o rating da OGX para "C", de "CCC", apontando que a inadimplência da companhia era iminente ou inevitável.

No mercado secundário, o bônus 2022 era negociado a cerca de 16 por cento de seu valor de face nesta manhã. Na bolsa paulista, a ação da OGX oscilava entre a estabilidade e queda de quase 5 por cento, cotada em 0,21 ou 0,20 real. No ano, o papel já perdeu 95 por cento de seu valor.

Segundo a OGX, o contrato dos bônus garante à companhia "30 dias para adotar as medidas necessárias sem que seja caracterizado o vencimento antecipado da dívida".

No total, apenas em bônus no mercado internacional a OGX tem dívida de 3,6 bilhões de dólares.

A derrocada da OGX, que já foi considerada o ativo mais precioso do grupo de empresas de Eike, ganhou força após sucessivas frustrações com o nível de produção da petroleira. No início de julho, a companhia decidiu não seguir adiante com o desenvolvimento de algumas áreas na bacia de Campos antes consideradas promissoras.

Com pouco dinheiro disponível e fracasso em sua campanha exploratória até o momento, em agosto a OGX desistiu de adquirir nove dos 13 blocos que arrematou na última licitação de áreas de petróleo, evitando o pagamento de 280 milhões de reais ao governo por direitos exploratórios.   Continuação...