1 de Outubro de 2013 / às 20:48 / em 4 anos

Dólar sobe 0,55% ante real, apesar de incertezas nos EUA

Por Bruno Federowski e Marília Carrera

SÃO PAULO, 1 Out (Reuters) - O dólar fechou em alta ante o real nesta terça-feira, apesar de expectativas de que a paralisação do governo dos Estados Unidos obrigue o banco central norte-americano a adiar a retirada de estímulos para compensar o impacto de uma queda súbita dos gastos públicos.

Estas apostas chegaram a derrubar a divisa dos EUA abaixo do importante patamar de suporte de 2,20 reais, mas o dólar logo rebateu a queda, delineando o que analistas identificaram como um possível piso informal.

O dólar avançou 0,55 por cento, para 2,2286 reais na venda. Na mínima do dia, a divisa chegou a 2,1971 reais. Segundo dados da BM&F, o giro financeiro ficou em torno de 1,09 bilhão de dólares.

"Está se caracterizando um piso informal em torno de 2,20 reais. Toda vez que bate nesse patamar, o dólar logo volta a subir", disse o superintendente de câmbio da Advanced Corretora, Reginaldo Siaca.

O dólar flertou com o nível de 2,20 reais no fim de setembro, quando o Federal Reserve, banco central dos EUA, decidiu manter seu programa de estímulo monetário, enfraquecendo o dólar nos mercados globais.

Um dia após a divisa norte-americana fechar nesse patamar, o Banco Central brasileiro recusou algumas propostas de compra de swap pela primeira vez desde o início do programa de intervenções diárias no mercado de câmbio. A decisão do BC alimentou suposições de que a autoridade monetária não quer que o dólar caia excessivamente para preservar a competitividade da indústria brasileira.

Analistas citaram ainda o nível de 2,2176 reais, equivalente à média móvel de dez dias da divisa, como uma barreira técnica importante.

No início da sessão, o dólar chegou a romper esse patamar, após a notícia de que o Congresso dos EUA não foi capaz de chegar a um acordo para impedir que o vencimento do orçamento público paralisasse o governo federal.

"Os investidores associaram as notícias dos EUA a um atraso na redução dos estímulos norte-americanos", afirmou o economista-chefe do Espirito Santo Investment Bank, Jankiel Santos.

O debate no Congresso norte-americano deverá se acirrar ainda mais nas próximas semanas, quando republicanos e democratas terão de discutir a elevação do teto da dívida do país para evitar um default.

Na semana passada, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Jack Lew, alertou o Congresso que o país irá esgotar a capacidade de empréstimo até no máximo 17 de outubro, data em que o Tesouro terá apenas cerca de 30 bilhões de dólares na mão.

Um dos argumentos utilizados pelo Federal Reserve para manter o ritmo mensal de compra de ativos em 85 bilhões de dólares tem sido justamente as incertezas fiscais, que podem criar mais obstáculos para a recuperação econômica do país.

Parte dos recursos do afrouxamento monetária do Fed costuma migrar para países emergentes em busca de rendimentos mais elevados. A perspectiva de uma Selic mais elevada no ano que vem, como forma de combater a inflação, torna o Brasil um destino ainda mais atraente para estes recursos.

De acordo com o Relatório Trimestral de Inflação do BC, divulgado na segunda-feira, a inflação oficial deve subir 5,7 por cento no próximo ano, ante estimativa anterior de 5,4 por cento.

"A possibilidade de aumento da Selic leva a um ajuste no dólar, devido ao posicionamento de um juro um pouco maior", afirmou o gerente de câmbio da Treviso Corretora, Reginaldo Galhardo.

Também tem contribuído para o movimento recente de queda do dólar o programa de intervenção diária do Banco Central. Nesta terça-feira, foram vendidos todos 10 mil contratos ofertados de swap cambial tradicional com vencimento em 3 de fevereiro de 2014, cujo volume financeiro foi equivalente a 497,8 milhões de dólares.

Na quarta-feira, o BC ofertará, entre 9h30 e 9h40, outros 10 mil contratos de swap cambial tradicional com vencimento em 3 de fevereiro de 2014. O resultado será conhecido a partir de 9h50.

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