3 de Outubro de 2013 / às 16:01 / 4 anos atrás

Moody's reduz perspectiva de rating do Brasil para "estável", de "positiva"

Por Guillermo Parra-Bernal e Tiago Pariz

SÃO PAULO, 3 Out (Reuters) - A agência de classificação de risco Moody's reduziu a perspectiva do rating soberano brasileiro para "estável", de "positiva", na noite de quarta-feira, citando a deterioração da relação dívida/PIB, o nível dos investimentos e o fraco crescimento.

A Moody's reafirmou o crédito a "Baa2", já grau de investimento, com menor risco de calote. A agência elevou a perspectiva do rating para "positiva" em 2011, e no fim do ano passado, tomou a decisão incomum de adiar um possível elevação da classificação de risco.

A decisão evidencia maior preocupação do mercado de que a economia brasileira --que no fim da década passada parecia estar entrando numa época de crescimento mais expressivo-- está ficando atrás de outras economias emergentes.

"Apesar de haver sinais de que a economia brasileira está começando a se recuperar, a visão da Moody's é que, se e quando a recuperação se materializar, não é provável que será forte o suficiente para restaurar a tendência positiva nas métricas de crédito do Brasil", afirmou o analista de crédito soberano da Moody's Mauro Leos.

Em entrevista à Reuters, Leos afirmou que um dos principais elementos para crescimento mais acelerado da economia brasileira é o sucesso do programa de concessões em infraestrutura e o aumento da confiança dos investidores nas políticas do governo.

"A questão agora para o rating do Brasil está centrada em 2015, o que será feito daqui em diante com efeito no próximo governo. E um dos elementos principais tem a ver com o sucesso do programa de infraestrutura", disse ele.

Para o analista, a importância do aumento da confiança na economia brasileira passa pela postura que do governo em relação à política fiscal e a determinação do Banco Central em levar a inflação para o centro da meta, de 4,5 por cento pelo IPCA.

"O BC tem que ajustar a taxa de juros tanto quanto for necessária para levar a inflação para próximo de 4,5 por cento", afirmou. "E, se o governo tornar a política fiscal mais transparente, teria um impacto positivo em termos de confiança", emendou.

O BC iniciou um processo de aperto monetário em abril passado, tirando a taxa de juros da mínima recorde de 7,25 por cento para o atual patamar de 9 por cento. O mercado dá como certa uma nova elevação da Selic para 9,5 por cento na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) da semana que vem.

Em Londres, o presidente do BC, Alexandre Tombini, buscou minimizar a redução da perspectiva do rating brasileiro pela Moody's, lembrando que o Brasil foi confirmado como "grau de investimento".

"A agência afirmou que temos grau de investimento", disse Tombini após conferência em Londres.

A Moody's, a Standard & Poor's e a Fitch Ratings atualmente classificam o Brasil no segundo menor grau de investimento, mas a Moody's era a única que mantinha a perspectiva positiva. A S&P reduziu a perspectiva para negativa, ante estável, em junho.

A assessoria de imprensa do Ministério da Fazenda informou que não iria comentar, por enquanto, a decisão da agência.

O analista da Moody's disse que, apesar de o Brasil enfrentar uma situação claramente menos favorável do que nos últimos meses, há elementos que dão suporte ao rating do país "quando comparado com os seus pares Baa3 de classificação inferior".

Entre os elementos estão o relativamente administrável déficit em conta corrente, a capacidade de resistência a choques externos e o programa de investimentos de infraestrutura em curso.

Leos disse esta semana em evento da Moody's que a economia brasileira deverá crescer cerca de 2,5 por cento neste e no próximo ano. Esse cenário é causado por "desafios estruturais" como baixo investimento e gargalos de infraestrutura, o que significa que qualquer medida para melhorar os ratings do Brasil vai demandar ações de "longo prazo" pelo governo, ele acrescentou.

Um aspecto que tem preocupado as agências de crédito é a deterioração das tendências da dívida pública. A relação entre a dívida bruta brasileira e o PIB é igual a cerca de 60 por cento, em comparação com índices médios de cerca de 45 por cento para os países com classificação Baa2.

Reportagem adicional de Patrícia Duarte, em São Paulo, e Carolyn Cohn, em Londres

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