Moody's reduz perspectiva de rating do Brasil para "estável", de "positiva"

quinta-feira, 3 de outubro de 2013 20:46 BRT
 

Por Guillermo Parra-Bernal e Tiago Pariz

SÃO PAULO, 3 Out (Reuters) - A agência de classificação de risco Moody's reduziu a perspectiva do rating soberano brasileiro para "estável", de "positiva", na noite de quarta-feira, citando a deterioração da relação dívida/PIB, o nível dos investimentos e o fraco crescimento.

A Moody's reafirmou o crédito a "Baa2", já grau de investimento, com menor risco de calote. A agência elevou a perspectiva do rating para "positiva" em 2011, e no fim do ano passado, tomou a decisão incomum de adiar um possível elevação da classificação de risco.

A decisão evidencia maior preocupação do mercado de que a economia brasileira --que no fim da década passada parecia estar entrando numa época de crescimento mais expressivo-- está ficando atrás de outras economias emergentes.

"Apesar de haver sinais de que a economia brasileira está começando a se recuperar, a visão da Moody's é que, se e quando a recuperação se materializar, não é provável que será forte o suficiente para restaurar a tendência positiva nas métricas de crédito do Brasil", afirmou o analista de crédito soberano da Moody's Mauro Leos.

Em entrevista à Reuters, Leos afirmou que um dos principais elementos para crescimento mais acelerado da economia brasileira é o sucesso do programa de concessões em infraestrutura e o aumento da confiança dos investidores nas políticas do governo.

"A questão agora para o rating do Brasil está centrada em 2015, o que será feito daqui em diante com efeito no próximo governo. E um dos elementos principais tem a ver com o sucesso do programa de infraestrutura", disse ele.

Para o analista, a importância do aumento da confiança na economia brasileira passa pela postura que do governo em relação à política fiscal e a determinação do Banco Central em levar a inflação para o centro da meta, de 4,5 por cento pelo IPCA.

"O BC tem que ajustar a taxa de juros tanto quanto for necessária para levar a inflação para próximo de 4,5 por cento", afirmou. "E, se o governo tornar a política fiscal mais transparente, teria um impacto positivo em termos de confiança", emendou.   Continuação...